sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

3a Viagem Vitória a Porto Alegre - ida, dia 4

4o dia de viagem: Joinville a Jaguaruna, passando pela BR-282, Urubici e Serra do Rio do Rastro. 520 km.

Pode um dia chuvoso ser ótimo? Pode sim! Tomei chuva quase o dia todo, em diferentes intensidades, mas curti demais meu trajeto!

Fui de Joinville a Florianópolis pela BR-101 tomando chuvisco o tempo todo. Mas era uma chuvinha boba, daquelas que nem molha o chão. A BR-101 nesse trecho é toda duplicada, foi tranquilo. Nem coloquei as capas, o vento secava os pingos nas roupas.

Lembrando do que passei na Eatrada da Graciosa, cheguei a pensar varias vezes em não subir a serra por causa da chuva. Parei no trevo da BR-282 para tomar um café e tomar a decisão final se subia ou não. Subi. Pensei - "eu já vim até aqui, não vale desistir por uma chuvinha". E valeu demais! Cumpri com gosto meus três objetivos do dia, a BR-282, Urubici e a Seera do Rio do Rastro.

A BR-282 lembra bastante a BR-262, no ES. Muitas curvas de alta, muito gostosas de fazer de moto. Dá para deitar muito! E tem uma paisagem que eu gosto muito, com muitas araucárias, pinheiros e casinhas de madeira.





Da 282 entrei para Urubici, uma espécie de meca que todo motociclista brasileiro precisa ir pelo menos uma vez. Eu fui. É uma cidade bem pequena, cujas principais atrações são o Morro da Igreja e a Pedra Furada. Eu tentei ir lá mas não consegui porque choveu muito bem na hora que eu estava na cidade. Fica para uma próxima vez, quando pretendo me hospedar por lá.





Saindo de Uribici para a Serra do Rio do Rastro passei por um trecho de estrada delicioso de motocar. Paisagens dos campos de cima da serra e friozinho típico (16°), embora estivesse no 1o dia oficial do verão (21/12).

Logo ao sair de Urubici a estrada sobe e nos oferece uma bela vista da cidade. Foto obrigatória!

No caminho para a Serra do Rio do Rastro ainda passei pela cidadezinha de Bom Jardim da Serra. Logo na entrada da cidade tem uma cascata muito bela!




Daí fui para o Rastro, que mesmo sendo minha 3a vez lá é sempre embasbacante. Cheguei ainda com chuviscos, mas o tempo já estava abrindo. Fiquei um bom tempo no mirante admirando a paisagem e batendo papo com outros motociclistas que chegavam.








Terminei o dia na companhia dos amigos Leandro e Andréa,  que gentilmente me receberam em sua casa! Muito papo sobre motos, viagens e futebol. Ainda ganhei um belo churrasco gaúcho! Que se pode querer mais?


3a Viagem Vitória a Porto Alegre - ida, dia 3

3o dia de viagem: de Campinas a Joinville, 670 km, 12 horas de moto.

Hoje foi um dia de duas metades bem diferentes. Ou melhor, três quartos excelente, um quarto tenso e cansativo!

Saí de Campinas em direção a Sorocaba, para de lá ir a São Miguel Arcanjo e atravessar a estrada-parque que cruza o Parque Carlos Botelho, que é uma reserva de mata atlântica linda! Esse era o objetivo maior do dia - atravessar a Serra da Macaca.

Saí de Campinas pela SP-075, uma legítima representante das autoestradas paulistas. Duplicada e perfeitinha, vai passando pelo entorno das cidades próximas sem interrupções. Passei por volta de Salto, Itu e Sorocaba desse jeito.





Embora as estradas paulistas sejam esses tapetes fenomenais, eu sempre encontro um jeito de me perder um pouco. Hoje errei um acesso, passei do ponto de entrada. É que as placas falavam só da cidade mais próxima, e eu nem sabia que para chegar em São Miguel tinha antes Salto de Pirapora! Mas não foi nada crítico, uns 10km se tanto até me dar conta. Fiz o retorno e ainda aproveitei para abastecer. Por algum motivo que desconheço essas estradas paulistas tem poucos postos de gasolina.

Voltando à viagem, a estrada-parque foi muito legal e já valeu o dia. Toda calçada em bloquetes, em meio à mata, e sem movimento algum. Parei num lugar e era só eu, uma paz, um silêncio... Deu vontade de ficar mais tempo, mas tinha muita estrada ainda por rodar.






Dessa estrada saí na Régis Bittencourt, ligação de Sampa com Curitiba. Velha conhecida de tantas outras viagens de carro, moto ou ônibus,  é um mega estradão, duplicada, uma beleza. Segui nela até quase Curitiba, na verdade até o acesso para a Estrada da Graciosa, meu segundo objetivo desse dia de viagem. Ano passado tinha tentado e desistido por causa da chuva, tinha feito só uma pequena parte. Nesse ano fiz toda, mas devo dizer...  Antes eu tivesse desistido ao ver que o tempo estava piorando. A chuva me encontrou no meio da serra, e foi muito ruim. Não por ficar molhado, que isso a capa protege. É que a estrada é calçada em paralelepípedo, e fica super escorregadia quando molhada. Eu em duas rodas,  me cagando de perder a frente numa curva qualquer, fiz os poucos quilômetros da serrinha na ponta dos dedos. E tenso.






A chuva também foi responsável por uma alteração de trajeto. Meu roteiro era pelas praias paranaenses, pegando balsa em Guaratuba, mas por segurança preferi trocar pelas autoestradas de Morretes a Curitiba e dessa a Joinville. Peguei muita chuva na subida até Curitiba. Rodei o tempo todo em "modo de segurança", me lembrando a todo momento de um bilhetinho de despedida que meu filho Marcelo me deixou na saída da viagem, dizendo "ride safe!" (o bilhetinho veio comigo, valeu Marcelo!)

Cheguei em Joinville quase 19 horas, e me hospedei no primeiro hotel que apareceu. Estava com cartaz de promoção, com um bom preço para quartos simples. Dei uma olhada e as avaliações no Booking eram boas (o preço no site muito acima do cartaz!). Valeu a pena, apesar do prédio antigo fui muito bem atendido novamente e o quarto era bem bom.

Para coroar mais um ótimo dia de viagem, ainda reencontrei meus queridos primos Poty e Jussara, que moram em Joinville! Bom demais rever os dois! Só faltou Inajara, que estava trabalhando e vai ficar para uma outra viagem!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

3a Viagem Vitória a Porto Alegre - ida, dia 2

Um belo dia de viagem! Foram 730 km percorridos em 12 horas de motocada.

Saí do Rio pela Dutra, o que já colocou a subida da Serra das Araras no cardápio. A descida dessa serra é xarope, com muitos radares e caminhões lentos, mas a subida é muito legal! Tem um ou outro radar, mas não me pareceu que atrapalhem as belas curvas longas, ótimas para deitar a moto!



Parei no topo da Serra das Araras para um café, lanche a gasolina, e depois segui pela Dutra até Guaratinguetá, já no estado de São Paulo. Ali entrei num dos principais objetivos da viagem - percorrer a estrada de Cunha a Paraty, que era um dos roteiros para uma boa motocada que coloquei aqui no blog e ainda não tinha percorrido. E olha, valeu muito a pena! Que estrada fenomenal!

Na verdade são 3 ou 4 trechos com características diferentes. De Guaratinguetá a Cunha a estrada é um motódromo. Asfalto ótimo, longas faixas adicionais e curvas sensacionais para deitar tudo que tiver coragem!




De Cunha ao Parque, a estrada fica mais estreita e as curvas bem mais fechadas, mas continua com bom pavimento. Aí fui com mais prudência porque vez ou outra era surpreendido com uma curva muito mais fechada que as demais. Aqui e ali abriam belos horizontes.


No Parque a estrada passa a ser de bloquetes de concreto, e a gente passa a transitar no meio da floresta, que é linda! Nesse trecho tem uma porção de "pontes para macacos", como apelidei, que creio que sirvam para os animais atravessarem de um lado a outro com segurança. E em vários trechos tem cerca nas laterais da pista para impedir que atravessem pelo asfalto. Boas medidas de proteção da fauna!


Mais pra baixo, depois do parque, a estrada vira um "caminho de burro"! É asfaltada, mas tem largura de um carro, nenhuma sinalização e muitas curvas super fechadas. Bom, nada que deva assustar, dá pra passar tranquilo. 

Parei para abastecer no entorno de Paraty, e para minha surpresa o posto não tinha gasolina comum nem aditivada, só Podium, a um preço obsceno. Achando que conseguiria fácil mais adiante, continuei no caminho. O próximo posto, uns 5km depois, também não tinha nada! Ainda não tinha entrado na reserva, então fui adiante, sabendo que depois de entrar ainda poderia rodar com toda segurança uns 50 ou 60km. Mas o trecho me surpreendeu, pois não apareceu posto algum até as cercanias de Ubatuba, 70km depois de Paraty. Esse lance infelizmente agregou um estressinho desnecessário a um trecho super bonito da viagem. 

Com esse lance de encontrar um posto, e também porque passei nessa estrada toda ano passado, acabei não fotografando nada da BR-101. E é uma estrada linda, em que aqui e ali abrem praias muito bonitas. 

Da 101 parti para mais uma estrada que também era objetivo dessa viagem - a subida de Ubatuba a Taubaté. Mais uma vez, estrada sensacional! 

Logo no início tem um trecho super-hiper-mega travado de subida de serra no meio da floresta. 



Depois dessa subida forte e travada, vem uns 70km de estrada em boas condições, cheia de curvas de média e alta. Uma delícia para motocar! Deu pafa entender porque me recomendaram tanto! 

De Taubaté peguei a Carvalho Pinto até a Dom Pedro I. Estradão da melhor qualidade como só tem em São Paulo. Uma beleza para a turma do 299, mas na verdade não é bem meu tipo. Eu prefiro as estradinhas simples e pitorescas! 

Na Carvalho Pinto tinha no horizonte à frente uma mega nuvem de chuva... Cada curva para esquerda me aproximava dela, as para direita deixavam ela para trás. Fui avançando na torcida que ela não caísse na minha cabeça, e dei sorte, não caiu. Mas na Dom Pedro I não teve jeito. O tempo estava super fechado à frente, era óbvio que ia chover. Parei para abastecer e coloquei todas as capas, até as luvas de látex. E logo depois veio a chuva, que me acompanhou até quase em Campinas. 

Nesse trecho me aconteceu mais uma para dar esperança na espécie humana. Eu carrego uma mala no lugar do garupa, amarrada com uma rede elástica. Ela fica batendo nas minhas costas quase o tempo todo. No meio da chuva, andando a uns 100 ou 110 km/h, eu subitamente sinto a falta daquela presença nas costas. Coloco a mão esquerda ali e... Nada. Cadê a mala? Parei logo no acostamento e constatei o pior - o elástico tinha se soltado nas presilhas da frente e a mala tinha caído. Por incrível que pareça o elástico ainda estava ali na moto, também a capa de chuva da mala (como ela caiu sem a capa eu não entendo). Fiquei pensando um pouco o que fazer. Não podia retornar com a moto, a Dom Pedro é uma autoestrada duplicada. Não sabia se a mala recém tinha caído ou se eu só tinha percebido agora. Resolvi deixar a moto no acostamento e voltar um pouco a pé. 

Não andei 50 metros e uma senhora parou seu carro e me avisou - "sua mala caiu lá debaixo do viaduto e um senhor está pegando ela". Não entendi o significado exato desse "está pegando ela", e segui caminhando para o tal do viaduto, uns 300 metros adiante, depois de uma curva. 

Novamente não andei nem 20 metros, e chega uma pequena pickup, que para ao meu lado. A janela abre e uma moça me entrega minha mala intacta. Sensacional, não é mesmo? Ainda existe esperança para a humanidade! Imagina que essas pessoas pararam seu carro numa autoestrada, debaixo de chuva, para resgatar minha maleta e me entregar! Achei fantástico. Agradeci um milhão de vezes!

Cheguei em Campinas perto de 18:30, e contei com o Google Maps para achar meu hotel. Não foi muito difícil, só tinha a xaropada de parar a moto, retirar uma luva, pegar o celular, olhar o mapa e tentar memorizar umas manobras à frente. Como minha memória não é grande coisa, é sempre um desafio. 

Bonita cidade me pareceu Campinas. De algum modo me lembrou Curitiba. E gostei também do Hotel Campinas Residence. Escolhi pelo Booking pelo preço (85 reais com café e estacionamento), e me surpreendi. Ótimo atendimento e muito boas as instalações. Quarto confortável, banho revigorante. Isso é tudo que se quer depois de um dia inteiro na estrada! 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Sobre o medo

Quando comento que vou viajar de moto sozinho para longe, o mais comum de ouvir é a pergunta - "você não tem tem medo que alguma coisa lhe aconteca?"

Sim, eu tenho um pouco. Sabe quando? Antes da viagem começar. Quando vou dormir a última noite. Quando me despeço da minha esposa e filhos. Nessas horas tenho esses pensamentos todos, tipo "e se esse tiver sido meu último momento com eles?"

Mas eu tenho a sorte de ter uma esposa que é uma grande companheira de vida, e que não alimenta esses "monstros" mentais. Pelo contrário, apoia e incentiva.

E interessante, esse tipo de pensamento só me ocorre bem na véspera. Antes disso, não, e depois que sento na moto, também não. Pilotando não lembro de ter medo ou de ter pensado qualquer coisa parecida. Sobre a moto os pensamentos são outros - as condições da estrada, se a paisagem vale uma parada para foto, as condições e barulhos da moto, onde fazer a próxima parada, como estará a próxima estrada, e por aí afora.


3a Viagem Vitória a Porto Alegre - ida, dia 1

E começa a viagem! Roteiro do primeiro dia foi cumprido integralmente - de Vitória ao Rio de Janeiro passando por Nova Friburgo e Teresópolis.

Acordei bem cedo, como sempre. Ansiedade de viagem! Tomei meu café ainda antes das 6 horas, mas brm nessa hora caiu uma chuvada. Resolvi esperar um pouco. Acabei saindo de Vitória sem chuva mas com as ruas todas molhadas. E um pouco adiante a chuva voltou e persistiu até o trevo de Guarapari.

Depois que passou a chuva começou a dúvida de quando parar para retirar as capas. É um procedimento demoradinho e trabalhoso, então eu tento evitar fazer muitas vezes. Acabei decidindo retirar no pedágio, para economizar uma parada. Só que não lembrava que o pedágio ainda estava bem distante, depois de Iconha. Então fiz uns 50km sofrendo com calor debaixo dos plasticos!

De Guarapari até quase Campos a viagem foi seca e tranquilo. Esse trecho é velho conhecido de muitas passagens! Parei para tirar fotos do Frade e a Freira, obrigatórias pela beleza do monumento natural.




Uns 20 km antes de Campos ficou óbvio que havia chuva à frente. Parei para colocar as capas. Realmente choveu, mas foi breve. Logo depois já estava assando de calor. Parei em Campos e no posto de gasolina retirei tudo de novo. Mas pra quê... Não deu nem 5 km na estrada para São Fidélis e encontrei a chuva de novo. Dessa vez para valer. Da-lbe colocar tudo de volta na beira da estrada, tomando chuva na cabeça.

O trecho de Campos a São Fidélis me agradou bastante. Tinha passado há mais de 10 anos, de carro, e tinha só uma vaga e positiva lembrança, que se confirmou. Embora seja na planície e não na serra, é bem bonito, vários trechos margeando o rio.



Mas é depois de São Fidélis que realmente comeca a diversão. Na verdade depois do trevo de Itaocara.  Daí até Nova Friburgo a estrada é uma delícia para motos! Asfalto ótimo, muito pouco movimento e curvas perfeitas!





Parei para um lanche entre Friburgo e Teresópolis. Nas viagens de moto não é bom comer muito, pode dar mais cansaço e sono. Prefiro lanches, e depois compenso na janta.

O ponto alto mesmo desse dia todo de estrada foi a descida de Teresópolis a Guapimirim. Embora eu tenha passado com tempo muito fechado, deu para ver que é um trecho fabuloso, lindíssimo. Não sei porque esse trecho não é mais famoso na comunidade de viajantes de moto. O pavimento não é bom, tem muitas irregularidades, mas o visual da Serra dos Órgãos é sensacional. Em um dia de sol cada curva deve merecer uma foto. Eu dei azar de pegar o tempo fechado, em alguns mirantes não sevia nada ao longe. Mesmo assim valeu muito a pena.




Ao chegar na Baixada retornou a chuva, fraca mas constante. Já tinha colocado as capas desde antes de Teresópolis, só segui em frente com cuidado, acompanhando os carros. Para minha surpresa tinha engarrafamento na Avenida Brasil e também na Linha Amarela. Final de tarde de domingo chuvoso e com engarrafamento? Não esperava mesmo. Fui "corredorzando" com cuidado, deixando outros motociclistas mais rápidos e apressados passarem. Passou uma grande turma de "jaspions" com motos esportivas, deviam estar voltando de passeio. Muitas Kawasakis.

No pedágio da Linha Amarela um motorista do carro da fila ao lado me avisou que minha placa estava quase caindo. Desci da moto para olhar, e realmente ela estava com somente um parafuso, e este estava sem a porca. Incrível como se soltaram "de graça". Chuva deve ser lubrificante de parafuso de placa! Um outro motociclista me ofereceu um cadarço para amarrar ela no lugar, mas eu prendi ela com lacres plásticos que trouxe para contingências. Ficou bem preso, talvez até mais seguro que com os parafusos.

Para fechar o dia reencontrei um dos meus melhores amigos, Ricardo, que mora na Barra da Tijuca e me ofereceu hospedagem. Ainda fui brindado com este por do sol sensacional: