quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Roteiro 22 - RS-020 de Taquara a São Francisco de Paula

Esse é um roteiro que ainda não fiz moto, mas já passei nos dois sentidos de carro.


É uma estrada de serra bem antiga, e infelizmente um tanto mal cuidada. Mas ainda assim o trajeto me pareceu delicioso para uma motocada, com curvas bem desafiadoras e belas paisagens.

As curvas são melhores para quem sobe, pois a pista de descida tem o asfalto muito ondulado em vários trechos, inclusive em algumas curvas. Já no quesito beleza a descida ganha, porque descendo se percebe muito melhor os horizontes e paisagens que aqui e ali abrem nas laterais da estrada.

São Chico é uma delícia para quem gosta de turismo-natureza, com montes de lindas cachoeiras para todo lado e trilhas por entre matas super preservadas. Tem outras postagens aqui no blog só sobre ela, vale ver.

Fotos da estrada:






segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Passeios do verão: São Francisco de Paula

Tem lugares no mundo que por algum motivo inexplicável a gente se sente imediatamente à vontade. Comigo, um desses lugares é a pequena cidade de São Francisco de Paula, na serra gaúcha. Desde que conheci ainda no início da decada de 90 eu adoro esse lugar.

Município de pouco mais de 20 mil habitantes, é uma cidade super pacata a uns 40 km das badaladas Canela e Gramado, com as quais compartilha o clima mas não os turistas. 

É uma cidade bem gaúcha, nem italiana nem alemã, de origem gaúcha mesmo desde sempre. Baseada na pecuária, é lugar de encontrar o verdadeiro gaúcho, o peão de estância de gado. Não é difícil ver alguém todo "pilchado" na avenida principal  (vestido com bombacha, chapéu e apetrechos gauchescos). 

Essa cidadezinha foi nossa escolha para substituir a viagem frustrada para o Uruguai. Deliciosa escolha, já vou adiantando. 

Pesquisando no Booking.com, encontramos a Pousada São Chico a um preço bem legal para a família toda para um pacote de 6 dias, e resolvemos encarar. Alugamos um Celtinha com ar e direção, bem basicão, e nos bandeamos para a serra. 

Subimos a serra por Sapiranga e Taquara, para variar os caminhos e conhecer outra estrada além da BR-116. A parte plana da estrada, até Taquara, é toda duplicada e sem graça como toda estrada duplicada sabe ser. Só fica bom mesmo quando se começa a subir a serra. 

A subida é numa estrada de pista simples que parece bem antiga e um tanto mal cuidada (RS-020). Praticamente sem acostamento nenhum nesse trecho do vale a São Chico. Com muitas curvas como toda estrada de serra antiga, me deu saudade da minha moto. Fica na lista para subir de moto qualquer dia à frente. 

Chegamos em São Chico ainda de dia (adoro o horário de verão no sul). A pousada ao vivo era bem melhor do que nas fotos, e ainda fomos brindados com um upgrade de quarto. Bom começo! 

Demos uma passeada pelo centrinho da cidade, e já de cara aportamos na linda livraria Miragem. É um lugar sensacional, e não é algo que eu tenha visto em qualquer cidade com menos de 200 mil habitantes (e aqui tem só 20 mil). Obra de dona Luciana, que tivemos o prazer de conhecer e conversar por um bom tempo. Fazendeira e boa conhecedora da história da cidade, foi um ótimo papo. 

O café anexo, chamado Capitão Chaves em homenagem ao fundador de São Chico, também foi uma grata surpresa. Capitaneado pelo carioca Pedro, serve, além dos cafés, deliciosas massas e cervejas para lá de especiais. Paramos para um café mas acabamos ficando para jantar. 

Como em todo lugar pequeno, em São Chico basta você mostrar-se aberto para o papo com o pessaol local correr solto, e assim foi com dona Luciana e com Pedro, sua esposa e seu sócio niteroiense. Esse é um dos ingredientes que me fazem gostar tanto de viajar por cidades pequenas e menos turísticas. 

A meu pedido Pedro selecionou para eu provar uma cerveja produzida na região, Viking, para a qual o adjetivo "excelente" é pouco. Absurdamente deliciosa! 

Para turistas apressados, São Chico inteira pode ser vista em um dia. Mas nós somos da galera slow-tur, e resolvemos passar 6 dias aqui. Queremos mergulhar mais fundo nos atrativos locais, entre os quais estão uma natureza exuberante e montes de cachoeiras. Também vamos usar a cidade como base para passeios pela região - Canela, Gramado, Cambará do Sul, que vou contar em outras postagens. 

Algumas fotos da pousada:





Fotos do centro de São Chico:

A fenomenal livraria Miragem, de dona Luciana.


A cafeteria/restaurante Capitão Chaves, ao lado da livraria. Ótimas cervejas e um atendimento para lá de simpático com o carioca Pedro.



Monumento aos tropeiros:


Outro monumento, na mesma avenida:


Avenida Julio de Castilhos:






Essa eu achei demais! Esse trequinho aí é um 'dispenser' de água quente para chimarrão. Já sai a 80 graus, temperatura correta para o mate. Fica no canteiro central da avenida principal, tá bom ou quer mais? Chega com a garrafa térmica e abastece!





domingo, 1 de janeiro de 2017

Viagem frustrada ao Uruguai

Bom, esse blog é "rods na estrada" e não "rods de moto na estrada", né? Então não preciso ficar só nas viagens de moto, embora sejam elas certamente as mais prazerosas.

Nessa virada de ano estávamos com uma bela viagem ao Uruguai agendada. De carro, com Márcia, Marcelo e Pedro junto, e mais meu pai, que é um dos melhores parceiros de viagem que eu já vi. A ideia era ir no carro dele de Porto Alegre a Montevideo, ficar lá quatro dias, depois ir para Colonia do Sacramento para mais dois dias, e daí voltar com uma escala em Bagé/RS. Todos os hotéis reservados há meses pelo Booking.com.

Só que... deu errado.

Saímos dia 28 de POA cedinho, conforme planejado. Pegamos a BR-116 sentido sul, para passar por Pelotas e atravessar a fronteira em Jaguarão.

A viagem seguia bem tranquila até uns 30km antes de Pelotas, já com mais de 2h de estrada. No meio de uma ultrapassagem de um grande caminhão, eu, que estava dirigindo, subitamente senti o carro perder completamente a tração. Totalmente. De repente me vi na faixa da contramão, a uns 110 km/h, com um caminhão do lado, um carro vindo em minha direção e completamente sem motor. Situação um tanto desesperadora. Pisquei centenas de vezes o farol para o outro carro perceber que havia algo errado. Para minha sorte quem percebeu que as coisas não iam bem foi o motorista do caminhão, que reduziu sua velocidade o suficiente para nosso carro poder passar. Eu não tinha tração alguma, estava só no embalo. Como o Honda Civic do velhão é automático, pelo menos não deu freio motor.

Entrei na frente do caminhão e fui direto para o acostamento. O carro já parou com o motor deligado. Abri o capô para olhar e não tinha nada visivelmente errado. Nenhum vazamento. No painel, nenhum código de falha ou luz de aviso. Tentei ligar o carro, o motor de arranque funcionava mas o motor não ligava, e ainda fazia um barulho estranho, áspero.

Pensando um pouco cheguei à hipótese de quebra da correia de comando. E consequente atropelamento das válvulas. Defeito sério pra caramba, que requer retífica do cabeçote do motor.

Acionamos a Seguradora Azul (Porto Seguro). Recomedaram levar o carro e nós de volta a Porto Alegre, e aceitamos. Ainda pensamos em ir de ônibus a Montevideo, mas a passagem era muito cara para quatro pessoas, e ficar sem carro e sem meu pai lá seria bem frustrante também.

Pensamos também em alugar um carro para seguir viagem para Montevideo no outro dia, mas eu queria primeiro resolver a situação do carro do meu pai. Não me sentiria nem um pouco bem saindo da bagunça no meio e deixando ele na fria. Além disso seriam dois dias de viagem perdidos.

Acabamos decidindo cancelar a viagem toda. Perdi a primeira diária, mas as outras foram canceladas por completo sem taxas.

A Porto Seguro ainda nos aprontou uma boa. Prometeram o socorro em uma hora, e o taxi também. O taxi chegou até antes da hora, já o socorro... nada. Liguei de novo depois de uma hora para saber por onde andava, e aí começaram as mentiras. Primeiro, tinha dado defeito no caminhão, e ia levar mais uma hora para vir outro. Pedi para chamarem outro de outra empresa, já que essa nem avisava os problemas.

Mais uma hora depois, nada de chegar o socorro. O cara do taxi ali na beira da rodovia esperando no sol conosco, e nada do guincho. Liguei de novo. Agora o caminhão estava a uns 90 km de nós, então levaria mais uma hora. Além da duas horas que já tinham passado. Reclamei mil vezes, ficaram me enrolando 50 minutos entre desculpas, "vou ver o que faço", esperas e musiquinhas. Ao fim das esperas, o caminhão estava a apenas 20km e não poderia ser cancelado.

Quando chegou o caminhão, em 5 minutos de papo com o motorista fiquei sabendo que aquele era o guincho desde o primeiro momento, e que a seguradora nunca cancelou ou tentou outro. Não tinha dado defeito algum. Eles sabiam desde sempre que demoraria três horas, porque o caminhão estava sei lá onde quando foi acionado.

Resolvido o guincho voltamos de taxi para Porto Alegre, onde chegamos depois das 17h. O motorista do táxi foi a simpatia em forma humana, aguentou tudo sem reclamar uma vez. Esperou duas horas conosco na estrada, nos levou em casa com conforto e segurança, e ainda voltaria para Pelotas no mesmo dia. Grande William!

No outro dia fui com meu pai na oficina saber do carro. Errei por pouco no diagnóstico. A correia tava íntegra, mas seu tensionador é que quebrou. O efeito é o mesmo - dessincroniza o motor, atropela as válvulas e ferra tudo. Teve que ir para retífica mesmo.

Alguns apontamentos da história toda:

- Dos males o menor - estávamos por fazer uma jornada de mais de 2000 km por um país estrangeiro. O defeito apareceu ainda relativamente perto de casa. Nem imagino a confusão que seria se acontecesse no trecho uruguaio. Aliás, fica a obrigação de checar a cobertura internacional do seguro numa próxima vez, seja de carro ou moto. Pelo menos para socorro mecânico.

- Seguradora é tudo uma bosta. Eu tinha a Porto Seguro como a melhor do ramo. Hora de rever meus conceitos. Atendimento cheio de mentiras, esperas infinitas e promessas não cumpridas.

- Quase que eu fiz as reservas no Booking sem possibilidade de cancelamento, porque eram bem mais baratas.  Teria me ferrado em grande estilo. No fim das contas gastei apenas 193 dólares de uma conta de mais de 1200. Mais uma lição, essa possibilidade de cancelamento a baixo custo ou gratuito deve ser encarada como um seguro. Vale pagar mais para ter.

Fechando, depois de resolvida a questão do carro, alugamos um Celtinha básico e trocamos de destino. Ao invés do Uruguai, fomos para a serra gaúcha, bem mais perto. Infelizmente sem o velho, que com a conta do carro largou os planos de viagem. Mas essa outra viagem já é tema de outra postagem.

Fotinhos da viagem mal acabada.

Parada na lanchonete em Cristal, antes do defeito. Todo mundo na maior alegria.




Já no acostamento, esperando o guincho que nunca chega.






sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Roteiro 21 - Serra dos Órgãos

Essa é uma estrada fenomenal, lindíssima, e eu não entendo por que não é mais famosa.


É um trajeto curto, de poucos quilômetros, mas de uma beleza descomunal. Cruza a Serra dos Órgãos, o que garante visuais espetaculares quase que a cada curva. Para nossa sorte tem recuos e mirantes aqui e ali para tirar fotos.

Não pense em exercitar suas melhores habilidades de piloto aqui. O piso é de concreto, e cheio de ondulações. Serve mais para teste da sua suspensão que para teste de suas capacidades de fazer curva. É uma estrada para curtir visual!

Esse roteiro é possivel de combinar de várias formas com outras estradas legais. Quem mora no Rio pode subir a BR-040 e descer essa estrada (ou o inverso). Pode vir ou seguir pelo que eles chamam de "Circuito Terê-Fri", que vai de Teresópolis a Nova Friburgo. Ou pode se divertir imensamente nas curvas do trecho entre Teresópolis e Além Paraíba, na continuação dessa mesma estrada.

Fotos de três passagens diferentes. Essas primeiras são da minha viagem de ida, agora em dezembro. Desci a serra com tempo fechado.




Essas são da viagem de retorno, com tempo muito bom. Subi a serra. A primeira foto é da estrada Arco Metropolitano, dá para ver os picos da Serra dos Órgãos lá atrás da moto.


Essas já são paisagens durante a subida.



Fotos no mirante mais famoso. Essa pedrona pontuda é chamada de "Dedo de Deus". Parece mesmo uma mão apontando para cima, não parece?



Amplos e belos horizontes... pena que foto de celular não capta bem os elementos mais distantes da imagem!

Essas fotos abaixo são lá de 2006, de um passeio com uma galera muito gente boa do RJ. Igor, Raphael, Smoker, parceiros do fórum M@D.





3a Viagem Vitória a Porto Alegre - ida, dia 5

5o e ultimo dia da viagem: de Jaguaruna a Porto Alegre passando pela Rota do Sol, Gramado e Nova Petrópolis. 440 km de prazer.

Finalmente um dia de sol sem nem um pingo de chuva! Fiz todo o roteiro sem tirar as capas da bolsa pela 1a vez na viagem!

Saí de Jaguaruna um pouco mais tarde, porque o papo tava bom... Duraria o dia todo se deixasse! Umas 8h peguei a estrada - BR-101, direção sul. Horizonte cheio de neblina na saída, mas logo abriu sol forte. Tempo bom, estrada boa, pouco movimento, uma beleza.


Uns 90 km depois senti a traseira da moto estranha, imprecisa, como que dançando (a 110 km/h, é um pouco assustador). Parei no acostamento e vi imediatamente que o pneu traseiro estava furado. Mas, como sujeito precavido, eu tinha levado um spray de reparo. Pluguei na válvula e abri o disparo. Um tempitcho depois percebi que o pneu não estava enchendo e o produto do spray estava saindo todo pelo furo. Não resolveu absolutamente nada! Par minha sorte isso aconteceu bem quando passava por Sombrio, então pilotei 1 ou 2 km em 1a marcha a 20km/h até uma borracharia. Fiquei pensando nos vários trechos que passei com uns 50 km ou mais sem nem posto de gasolina... Defeito veio bem na melhor hora, se existe isso!


Fiz uma paradinha obrigatória na divisa do Rio Grande, porque é sempre solene e emocionante estar de volta ao meu estado. É minha origem, é minha cultura, é parte de mim. Eu gosto muito de voltar todo ano ao meu rincão.


Uns 30km depois de entrar no Rio Grande tomei o rumo da serra pela Rota do Sol, um dos dois objetivos desse dia. Que estrada fantástica para uma motocada! Curvas fabulosas com faixa dupla, e aqui e ali um visual espetacular. Valeu demais!






Da Rota do Sol fui a Canela e Gramado, passando perto de São Francisco de Paula. Estrada boa, com pouquíssimo movimento e aquele horizonte amplo do planalto dos campos de cima da serra.




Abasteci a moto em Canela, e estimulado por minha irmã pensei em almoçar em Gramado. Até entrei num e pedi mesa, mas percebi que meu traje power ranger não era um modelito muito fashion para os restaurantes turísticos de lá. E ainda tinha o calor. Quem é de fora nem sempre sabe, mas faz um calor desgraçado no sul no verão. Estava 36° em Gramado, e se você somar a isso calça e casaco de couro pesado vai perceber o "conforto" do figura aqui. Resolvi cair fora e fazer só um lanche pelo caminho, como nos outros dias.



Saí de Gramado em direção a Nova Petrópolis,  para descer a BR-116, a ultima serra do meu trajeto e meu segundo objetivo do dia. Já tinha subido ela duas vezes, mas essa foi a primeira vez que fiz o trajeto no sentido contrário. É igualmente boa de motocar! Curvas maravilhosas, especialmente até Morro Reuter.



Daí a POA foi só "trajeto de ligação", sem maiores notas. Cheguei umas 16:30 e encontrei meu velhão em casa. Fim da viagem, pelo menos até começar a volta,  em janeiro!