segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Roteiro 23 - BR-116 de TeresópolisRJ a Além Paraíba/MG

Eu poderia colocar esse trecho junto com o roteiro 21, da Serra dos Órgãos. A BR-116 é a mesma, e os trechos são contíguos, é só seguir adiante de Teresópolis em direção a Além Paraíba. Mas a estrada é tão diferente nas características que preferi fazer um roteiro separado.


Neste trecho de aproximadamente 70 km a BR-116 apresenta uma bela porção de deliciosas curvas que se pode fazer com muito prazer na faixa dos 100 a 140 km/h, dependendo do seu nível de habilidade sobre a moto. O asfalto está perfeito, o tráfego (quando eu passei, num domingo) era bem pequeno, e mais interessante de tudo, não tem um único radar! Nenhunzinho!!! Vá antes que isso acabe!

O visual ao longo da estrada não chega a ser deslumbrante (como no trecho da Serra dos Órgãos), mas está longe de ser ruim. Aqui e ali abrem uns belos vales.

Apenas duas fotos. Não tirei muitas porque as curvas eram deliciosas demais para eu pensar em parar para fotos.





3a Viagem Vitória a Porto Alegre - volta, dia 2

O plano era sair de Curitiba, pegar a Rastro da Serpente, dali seguir para São Paulo, e desta subir pela Dutra até Queluz.

Saí de Curitiba às 7:30, depois de tomar café no hotel, fechar a conta e arrumar a moto. O tempo estava com uma cara bem ruim, mas não chovia. Coloquei o celular com o Google Maps aberto no suporte de guidon para sair da cidade sem dramas e me fui. Eu queria pegar a Estrada da Ribeira, como chamam no Paraná (os paulistas é que colocaram o nome Rastro da Serpente). Essa estrada começa no antigo Trevo do Atuba.

Chegando no trevo, ele não é mais um trevo, só tem opção de continuar no sentido São Paulo. Segui as indicações do Gmaps de entrar bem mais adiante. Só que a entrada indicada pelo Gmaps estava desativada, bloqueada por blocos de gelo baiano. Segui mais adiante para retornar. Voltei para entrar à direita na estrada, mas o Gmaps não indicou a saída, e novamente eu passei do ponto. Mandei o Gmaps às favas e voltei até o trevo do Atuba. Só nessa perdi uns 30 km ou mais zanzando na Régis Bittencourt à toa. Méritos ao Gmaps e à péssima sinalização da cidade de Curitiba.

Logo ao entrar na Rastro, parei para colocar as capas de chuva. Tava muito na cara que ia chover logo ali adiante. Depois de todo encapado segui, mas nessas idas e vindas por erro de mapa e parada para capas acabei perdendo uma hora inteira de viagem.

A Rastro da Serpente é uma estradinha que vai do entorno de Curitiba até Capão Bonito, em SP. Tem mais de 1000 curvas, de todo tipo, das fechadas às abertas, das fáceis às assustadoras. Serpenteia por cima da serra paranaense e paulista, com belos horizontes por todo o percurso. No trajeto cidadezinhas como Tunas, Ribeira, Adrianópolis, Apiaí. Nenhuma delas digna de nota...

Essa estrada é famosa na motoqueirada justamente por ter milhares de curvas. E curva é tudo que se gosta numa moto. Mas tomei uns bons sustos nela. No primeiro, eu estava fazendo uma curva cega para a esquerda, bem fechada. Escolhi a tangente e inclinei a moto. No meio da curva vinha um caminhão enorme de cara para mim. Baita cagaço. Freei com tudo, a moto levantou e segui reto. Me safei só porque minha BMW tem freios com ABS, que eu senti atuando. Cheguei a pensar que ia cair, pois a moto dançou toda. No segundo susto, eu estava em uma curva longa para a esquerda também, daquelas gostosas de pilotar. Moto inclinada, controlando aceleração para manter a inclinação, curtindo muito a brincadeira. Só que no final a pista estava coberta de areia solta! E estar com a moto inclinadona numa pista de areia não é nada agradável (menos ainda seguro...).  Senti a moto dar uma escapadinha de frente, mas retomou aderência e consegui seguir adiante. Bom, essa é a Rastro, uma estrada desafiadora que deve ser curtida como passeio, não como motódromo.

A estrada no trecho paulista está cheia de obras, tive que parar umas duas ou três vezes naqueles pare/siga. Quando as obras terminarem deve ficar top. Vi que estão refazendo a estrada toda, recapeando por completo e até adicionando faixas auxiliares de ultrapassagem.

Saindo da Rastro entrei nas megaestradas paulistas. Raposo Tavares, SP-075 e outras que não lembro o nome. Tudo duplicada, perfeita, coisa de europeu. A velocidade não baixa dos 110 do limite, não tem motivo. E com isso se adianta muito caminho e tempo. Tanto que resolvi, no meio do caminho, passar pelo entorno de Campinas e não por São Paulo. Inventei de pegar a Dom Pedro I para sair lá adiante na Dutra. Adicionava assim uns tantos quilômetros ao trajeto, mas calculando o tempo pela média que vinha conseguindo, parecia tranquilo.

O que eu não contava é que no meio da Dom Pedro I a chuva que eu esperava desde a manhã chegou. E chegou com muita força. Creio ter sido a maior tempestade que eu já atravessei pilotando uma moto. Gotas que pareciam pedradas no capacete e na roupa. Raios caindo perto, me fazendo pensar se atingem motociclistas (será?). Me mantive a uma distância segura do carro da frente, e andamos, eu, ele e o que vinha atrás de mim, a uns 60 ou 70 km/h até passar a tempestade, nem sei quantos quilômetros adiante (muitos). Eu só via as lanternas dele, tudo o mais era branco de água. Não apareceu um único posto de gasolina em todo o trecho para me abrigar e esperar a tempestade passar. Aliás, tem bem poucos postos e pontos de parada nessas megaestradas paulistas. Estranho isso, mas é assim em todas elas.

Passada a tempestade, restou uma chuva constante, mas fraca. E eu segui adiante. Minha meta era Queluz, uma cidadeca na Dutra, a 6 km da divisa com o RJ, onde tem um hotel de beira de estrada que eu conhecia. Barato e aceitável, é parte de um complexo Graal, com posto de gasolina e megalanchonete e restaurante. Garante assim um bom jantar e um bom café no outro dia, além de um precinho muito simpático para viajantes solo.

Pilotei mais de 200 km até chegar lá, já pelas 19:30. Foi um alívio finalmente chegar. Essa última parte do dia foi muito estressante por conta da chuva! Cheguei tão cansado que nem tive condições de fazer esse relato de viagem! Foram 817 km rodados e 12 horas na estrada.

Analisando depois, foi um bom dia de viagem. Superei os desafios, venci as adversidades. E da outra vez que tinha passado na Rastro estava chuviscando, não tinha dado para ver  as paisagens. Desta vez teve trechos até com um solzinho, embora estivesse nubladão. A paisagem paranaense eu já sabia que era bela, mas descobri que a parte paulista também é. Vi florestas inteiras de Ipês roxos, muito legais!

Algumas fotos da Rastro da Serpente. As megaestradas não fotografei, não tem nada de interessante nelas.

Quando vi essa linda árvore florida, tive que parar para fotografar. Depois ela ficou comum para caramba!


Essa placa diz o que é a Rastro da Serpente. Difícil encontrar um trecho reto com mais de 300 metros. É curva e curva e curva.


As árvores floridas. Eu acho que são Ipês, será que são mesmo?


Florestas inteiras... deu uma boa foto, não é mesmo?



Parada em Apiaí/SP, na placa indicativa. Tinha outros três motociclistas ali, em motos grandes. Não quiseram muito papo. Uma pena, eu adoro papear com outros viajantes.


A placa que dá início à Rastro, em Capão Bonito. Fica em frente ao bar Porthal Rastro da Serpente. Creio que tenham sido eles mesmos os inventores do nome para a estrada.


Euzim feliz com o objetivo cumprido. Quase desisti no início, com a cara de chuva que tava. Mas persisti no planejado e valeu a pena!


domingo, 8 de janeiro de 2017

Persistência é a chave para as conquistas

Tô devendo um relato aqui no blog sobre os outros dias que passei em São Chico. E também sobre os outros dois dias de retorno para casa, pois só relatei o primeiro. Mas tem algo que me marcou nessa última viagem, e eu quero compartilhar.

No primeiro dia desta viagem de retorno, ao chegar em Farroupilha o tempo estava bem ruinzinho. Neblina e chuvisco. Eu pensei em desistir de ir a Nova Roma, era uma estrada desconhecida para mim e que teria um trecho de terra. Poderia subir direto por Caxias, muito mais seguro.


No segundo dia, ao sair de Curitiba, olhei o céu e me perguntei "será que vai chover?". As respostas que me vieram foram "certamente", "logo ali na frente" e "bem na sua cabeça". Pensei muito em cancelar a passagem pelas 1000 curvas da Rastro da Serpente e seguir pela mais segura Régis Bittencourt.


No terceiro dia, uns 50 km depois de Campinas peguei uma chuva monstruosa. Talvez a mais forte que já enfrentei de moto. Depois da pancada, mais 200 km de chuva constante, embora mais fraca, até chegar em Queluz. Pensei em parar em São José dos Campos, Taubaté ou Guaratinguetá, ao invés de chegar até onde tinha planejado. 


Mas nos três dias eu preferi insistir no que tinha planejado. E deu certo. A estrada para Nova Roma foi uma belezinha que valeu muito conhecer. Por incrível que me pareça, não choveu uma gota sequer na Rastro e foi ótimo passar lá de novo. E a chuva nas Rodovias Dom Pedro I, Carvalho Pinto e Dutra foi perfeitamente possível de enfrentar pilotando com cuidado. Cheguei em Queluz cansado mas satisfeito de ter cumprido o objetivo do dia.


Teria muitos outros exemplos,  de outras viagens. O próprio ato de viajar de moto sozinho também é um exemplo. Quantas vezes já me perguntaram "Você não tem medo? E se te acontecer alguma coisa?"


É muito fácil desistir. E é igualmente fácil encontrar desculpas muito boas para não fazer o que se queria, devia ou precisava fazer. Mas onde se chega assim? A vida é agora, e o tal do amanhã nunca chega.


Tem uma frase que me aparece na mente nessas horas:


"Não se conquista nada desistindo antes de tentar."


Simples, meio óbvio até, mas para mim funciona.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

3a Viagem Vitória a Porto Alegre - volta, dia 1

E foi dada a largada na viagem de retorno para casa! Fiz uns 720 km hoje, vindo de Porto Alegre a Curitiba pela BR-116.

Na verdade não vim o tempo todo pela 116, porque já havia feito isso nas duas viagens anteriores e queria experimentar outras estradas. Subi pela RS-122, de São Leopoldo a Farroupilha. A maior parte do trajeto é numa estrada duplicada completamente sem graça e cheia de radares. Só depois de uns 90km de Porto é que começa a subida da serra, e com ela a diversão.

A subida a Farroupilha me pareceu curtinha, comparada com a subida da BR-116 por Nova Petrópolis. Mas tem curvas bem legais para deitar a moto, e todo o trecho de subida tem pista auxiliar para ultrapassar caminhões e detestaveis SUVs sempre lentos.

Eu queria experimentar mesmo era o trecho de Farroupilha a Nova Roma do Sul. E ele não me decepcionou. É uma estradinha de pista simples sem acostamento, cheia de curvas fechadas (não tão fechadas quanto uma SRR ou subida de Ubatuba, mas de baixa velocidade). Em boa parte do trecho a estrada atravessa um trecho de mata aparentemente intocada. Tem uma cachoeira no meio do caminho, e uma ponte sensacional de ferro sobre o Rio das Antas.

De Nova Roma a Antônio Prado a estrada era de terra bem pedregosa. Minha moto não é a melhor para esse tipo de pavimento, e eu também sou um nada pilotando nessas condições. Então apenas cuidei de chegar inteiro ao asfalto do outro lado, uns 20km depois. E aí ganhei dois presentinhos - conheci a cidade de Antônio Prado, que se intitula "a cidade mais italiana do Brasil", e passei na estrada que vai dela até a BR-116, já pertinho de Vacaria.

Antônio Prado me deu vontade de voltar para conhecer melhor. Tem uma porção de construções antigas naquele estilo dos colonos italianos por todo o trecho que atravessei da cidade.

O trecho de estrada de Antônio Prado até a BR-116 foi o melhor do dia em termos de prazer de pilotar. Curvas deliciosas, asfalto novinho, boa sinalização, belas paisagens. Pacote completo. Fiquei bem curioso de ver se o trecho que vai de Caxias até Antônio Prado é da mesma qualidade. Se for, é mais uma estrada para a lista de boas estradas para uma motocada.

De Vacaria até Curitiba eu vim pela BR-116 o tempo todo. É a 3a vez que rodo nela, e não me canso. É uma estrada muito bonita, bem cuidada, com a bela paisagem dos campos de cima da serra catarinense que eu gosto muito. Não tem muito trânsito, mas dessa vez parei umas duas ou três vezes por obras na pista. Mesmo assim foi um prazer rodar nela. Só o que atrapalhou um pouco foi a chuva, que caiu aqui e ali desde Santa Cecília até Curitiba. Foi só chuvisco, nada crítico, mas me forçou a rodar "plastificado" o tempo todo, o que é sempre desconfortável. Pelo menos não estava calor. De 20 a 23 graus em toda a viagem.

Uma nota bobinha - o suporte para celular que coloquei na moto funcionou super bem. O celular ficou bem firme, nem balança. E o celular no guido me ajudou para caramba na hora de encontrar o hotel em Curitiba. Finalmente consegui conciliar o Waze e a moto! Agora só falta um jeito de carregar a bateria dele. A moto tem uma tomada 12v, mas é de um formato diferente do padrão. Coisas da BMW.

Fotinhos:

Adivinha quem apareceu lá em cima da serra? A neblina! Meio do verão e uma baita neblina, que é isso?


A estradinha deliciosa de Farroupilha a Nova Roma:








O Rio das Antas:


Estradinha de terra de Nova Roma a Antônio Prado.



Trecho de Antônio Prado à BR-116




Não tirei fotos da BR-116 porque já tenho de viagens anteriores, e também por causa das chuvas ocasionais. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

3a Viagem Vitória a Porto Alegre - planejamento do retorno

Amanhã começo a terceira parte da minha viagem de verão, o retorno de moto para casa. Bom, melhor dizer a quarta parte, porque teve a grande vinda, a viagem frustrada ao Uruguai, a viagem a São Chico, e agora o retorno.

Serão três dias de moto até lá. Pouco mais de 700 km para rodar a cada dia. E pelo menos uma estrada interessante ou deconhecida a cada dia.

É bem menos quilometragem que fiz na vinda, porque disponho de menos tempo para voltar. Também não vou poder colocar montes de estradas deliciosas, porque demoraria muito. Mas também não topo a ideia se subir daqui até lá só por autoestradas sem graça, então pelo menos um ou dois trechos legais de rodar todo dia tem.

No primeiro dia, vou de Porto Alegre a Curitiba pela serra. Mas desta vez não vou pela BR-116 direto como das outras duas vezes. Vou passar por Farroupilha e Nova Roma, saindo perto de Vacaria. Dessa cidade adiante é a 116 direto. Esse novo trecho de subida de serra no RS faz parte de um dos roteiros que estão recomendados aqui no blog, vou testá-lo.

De POA a Curitiba, passando por Farroupilha, Nova Roma e BR-116

713 km, previsão de 10 h 26 min na estrada.
https://goo.gl/maps/YaEbTSmARPq


No segundo dia a pedida é fazer novamente a Rastro da Serpente, que passei no sentido inverso no inverno de 2015. Vamos ver se consigo passar com tempo bom! Depois da Rastro é tudo trajeto pelas megaestradas paulistas até Queluz ou cidade próxima a essa.

De Curitiba até Queluz pela Rastro da Serpente

730 km, previsão de 10 h 20 min na estrada.
 https://goo.gl/maps/SuxaM8bTz1E2



E no último dia vou de Queluz até Vitória, mas passando novamente pela fantástica Serra dos Órgãos. Dela subo mais até a BR-393, passo por Santo Antônio de Pádua e entro no ES já em Apiacá.

De Queluz até Vitória pela Serra dos Órgãos e BR-393

712 km, previsão de 10 h 13 min de estrada.
https://goo.gl/maps/mECXh9A9aAt



Tudo isso até aqui é projeto. Se vou conseguir fazer como planejado vai depender muito das condições de clima e da estrada. Torço muito para um tempo seco, embora a previsão do aplicativo para amanhã já não seja exatamente a melhor possível.

Roteiro 22 - RS-020 de Taquara a São Francisco de Paula

Esse é um roteiro que ainda não fiz moto, mas já passei nos dois sentidos de carro.


É uma estrada de serra bem antiga, e infelizmente um tanto mal cuidada. Mas ainda assim o trajeto me pareceu delicioso para uma motocada, com curvas bem desafiadoras e belas paisagens.

As curvas são melhores para quem sobe, pois a pista de descida tem o asfalto muito ondulado em vários trechos, inclusive em algumas curvas. Já no quesito beleza a descida ganha, porque descendo se percebe muito melhor os horizontes e paisagens que aqui e ali abrem nas laterais da estrada.

São Chico é uma delícia para quem gosta de turismo-natureza, com montes de lindas cachoeiras para todo lado e trilhas por entre matas super preservadas. Tem outras postagens aqui no blog só sobre ela, vale ver.

Fotos da estrada:






segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Passeios do verão: São Francisco de Paula

Tem lugares no mundo que por algum motivo inexplicável a gente se sente imediatamente à vontade. Comigo, um desses lugares é a pequena cidade de São Francisco de Paula, na serra gaúcha. Desde que conheci ainda no início da decada de 90 eu adoro esse lugar.

Município de pouco mais de 20 mil habitantes, é uma cidade super pacata a uns 40 km das badaladas Canela e Gramado, com as quais compartilha o clima mas não os turistas. 

É uma cidade bem gaúcha, nem italiana nem alemã, de origem gaúcha mesmo desde sempre. Baseada na pecuária, é lugar de encontrar o verdadeiro gaúcho, o peão de estância de gado. Não é difícil ver alguém todo "pilchado" na avenida principal  (vestido com bombacha, chapéu e apetrechos gauchescos). 

Essa cidadezinha foi nossa escolha para substituir a viagem frustrada para o Uruguai. Deliciosa escolha, já vou adiantando. 

Pesquisando no Booking.com, encontramos a Pousada São Chico a um preço bem legal para a família toda para um pacote de 6 dias, e resolvemos encarar. Alugamos um Celtinha com ar e direção, bem basicão, e nos bandeamos para a serra. 

Subimos a serra por Sapiranga e Taquara, para variar os caminhos e conhecer outra estrada além da BR-116. A parte plana da estrada, até Taquara, é toda duplicada e sem graça como toda estrada duplicada sabe ser. Só fica bom mesmo quando se começa a subir a serra. 

A subida é numa estrada de pista simples que parece bem antiga e um tanto mal cuidada (RS-020). Praticamente sem acostamento nenhum nesse trecho do vale a São Chico. Com muitas curvas como toda estrada de serra antiga, me deu saudade da minha moto. Fica na lista para subir de moto qualquer dia à frente. 

Chegamos em São Chico ainda de dia (adoro o horário de verão no sul). A pousada ao vivo era bem melhor do que nas fotos, e ainda fomos brindados com um upgrade de quarto. Bom começo! 

Demos uma passeada pelo centrinho da cidade, e já de cara aportamos na linda livraria Miragem. É um lugar sensacional, e não é algo que eu tenha visto em qualquer cidade com menos de 200 mil habitantes (e aqui tem só 20 mil). Obra de dona Luciana, que tivemos o prazer de conhecer e conversar por um bom tempo. Fazendeira e boa conhecedora da história da cidade, foi um ótimo papo. 

O café anexo, chamado Capitão Chaves em homenagem ao fundador de São Chico, também foi uma grata surpresa. Capitaneado pelo carioca Pedro, serve, além dos cafés, deliciosas massas e cervejas para lá de especiais. Paramos para um café mas acabamos ficando para jantar. 

Como em todo lugar pequeno, em São Chico basta você mostrar-se aberto para o papo com o pessaol local correr solto, e assim foi com dona Luciana e com Pedro, sua esposa e seu sócio niteroiense. Esse é um dos ingredientes que me fazem gostar tanto de viajar por cidades pequenas e menos turísticas. 

A meu pedido Pedro selecionou para eu provar uma cerveja produzida na região, Viking, para a qual o adjetivo "excelente" é pouco. Absurdamente deliciosa! 

Para turistas apressados, São Chico inteira pode ser vista em um dia. Mas nós somos da galera slow-tur, e resolvemos passar 6 dias aqui. Queremos mergulhar mais fundo nos atrativos locais, entre os quais estão uma natureza exuberante e montes de cachoeiras. Também vamos usar a cidade como base para passeios pela região - Canela, Gramado, Cambará do Sul, que vou contar em outras postagens. 

Algumas fotos da pousada:





Fotos do centro de São Chico:

A fenomenal livraria Miragem, de dona Luciana.


A cafeteria/restaurante Capitão Chaves, ao lado da livraria. Ótimas cervejas e um atendimento para lá de simpático com o carioca Pedro.



Monumento aos tropeiros:


Outro monumento, na mesma avenida:


Avenida Julio de Castilhos:






Essa eu achei demais! Esse trequinho aí é um 'dispenser' de água quente para chimarrão. Já sai a 80 graus, temperatura correta para o mate. Fica no canteiro central da avenida principal, tá bom ou quer mais? Chega com a garrafa térmica e abastece!





domingo, 1 de janeiro de 2017

Viagem frustrada ao Uruguai

Bom, esse blog é "rods na estrada" e não "rods de moto na estrada", né? Então não preciso ficar só nas viagens de moto, embora sejam elas certamente as mais prazerosas.

Nessa virada de ano estávamos com uma bela viagem ao Uruguai agendada. De carro, com Márcia, Marcelo e Pedro junto, e mais meu pai, que é um dos melhores parceiros de viagem que eu já vi. A ideia era ir no carro dele de Porto Alegre a Montevideo, ficar lá quatro dias, depois ir para Colonia do Sacramento para mais dois dias, e daí voltar com uma escala em Bagé/RS. Todos os hotéis reservados há meses pelo Booking.com.

Só que... deu errado.

Saímos dia 28 de POA cedinho, conforme planejado. Pegamos a BR-116 sentido sul, para passar por Pelotas e atravessar a fronteira em Jaguarão.

A viagem seguia bem tranquila até uns 30km antes de Pelotas, já com mais de 2h de estrada. No meio de uma ultrapassagem de um grande caminhão, eu, que estava dirigindo, subitamente senti o carro perder completamente a tração. Totalmente. De repente me vi na faixa da contramão, a uns 110 km/h, com um caminhão do lado, um carro vindo em minha direção e completamente sem motor. Situação um tanto desesperadora. Pisquei centenas de vezes o farol para o outro carro perceber que havia algo errado. Para minha sorte quem percebeu que as coisas não iam bem foi o motorista do caminhão, que reduziu sua velocidade o suficiente para nosso carro poder passar. Eu não tinha tração alguma, estava só no embalo. Como o Honda Civic do velhão é automático, pelo menos não deu freio motor.

Entrei na frente do caminhão e fui direto para o acostamento. O carro já parou com o motor deligado. Abri o capô para olhar e não tinha nada visivelmente errado. Nenhum vazamento. No painel, nenhum código de falha ou luz de aviso. Tentei ligar o carro, o motor de arranque funcionava mas o motor não ligava, e ainda fazia um barulho estranho, áspero.

Pensando um pouco cheguei à hipótese de quebra da correia de comando. E consequente atropelamento das válvulas. Defeito sério pra caramba, que requer retífica do cabeçote do motor.

Acionamos a Seguradora Azul (Porto Seguro). Recomedaram levar o carro e nós de volta a Porto Alegre, e aceitamos. Ainda pensamos em ir de ônibus a Montevideo, mas a passagem era muito cara para quatro pessoas, e ficar sem carro e sem meu pai lá seria bem frustrante também.

Pensamos também em alugar um carro para seguir viagem para Montevideo no outro dia, mas eu queria primeiro resolver a situação do carro do meu pai. Não me sentiria nem um pouco bem saindo da bagunça no meio e deixando ele na fria. Além disso seriam dois dias de viagem perdidos.

Acabamos decidindo cancelar a viagem toda. Perdi a primeira diária, mas as outras foram canceladas por completo sem taxas.

A Porto Seguro ainda nos aprontou uma boa. Prometeram o socorro em uma hora, e o taxi também. O taxi chegou até antes da hora, já o socorro... nada. Liguei de novo depois de uma hora para saber por onde andava, e aí começaram as mentiras. Primeiro, tinha dado defeito no caminhão, e ia levar mais uma hora para vir outro. Pedi para chamarem outro de outra empresa, já que essa nem avisava os problemas.

Mais uma hora depois, nada de chegar o socorro. O cara do taxi ali na beira da rodovia esperando no sol conosco, e nada do guincho. Liguei de novo. Agora o caminhão estava a uns 90 km de nós, então levaria mais uma hora. Além da duas horas que já tinham passado. Reclamei mil vezes, ficaram me enrolando 50 minutos entre desculpas, "vou ver o que faço", esperas e musiquinhas. Ao fim das esperas, o caminhão estava a apenas 20km e não poderia ser cancelado.

Quando chegou o caminhão, em 5 minutos de papo com o motorista fiquei sabendo que aquele era o guincho desde o primeiro momento, e que a seguradora nunca cancelou ou tentou outro. Não tinha dado defeito algum. Eles sabiam desde sempre que demoraria três horas, porque o caminhão estava sei lá onde quando foi acionado.

Resolvido o guincho voltamos de taxi para Porto Alegre, onde chegamos depois das 17h. O motorista do táxi foi a simpatia em forma humana, aguentou tudo sem reclamar uma vez. Esperou duas horas conosco na estrada, nos levou em casa com conforto e segurança, e ainda voltaria para Pelotas no mesmo dia. Grande William!

No outro dia fui com meu pai na oficina saber do carro. Errei por pouco no diagnóstico. A correia tava íntegra, mas seu tensionador é que quebrou. O efeito é o mesmo - dessincroniza o motor, atropela as válvulas e ferra tudo. Teve que ir para retífica mesmo.

Alguns apontamentos da história toda:

- Dos males o menor - estávamos por fazer uma jornada de mais de 2000 km por um país estrangeiro. O defeito apareceu ainda relativamente perto de casa. Nem imagino a confusão que seria se acontecesse no trecho uruguaio. Aliás, fica a obrigação de checar a cobertura internacional do seguro numa próxima vez, seja de carro ou moto. Pelo menos para socorro mecânico.

- Seguradora é tudo uma bosta. Eu tinha a Porto Seguro como a melhor do ramo. Hora de rever meus conceitos. Atendimento cheio de mentiras, esperas infinitas e promessas não cumpridas.

- Quase que eu fiz as reservas no Booking sem possibilidade de cancelamento, porque eram bem mais baratas.  Teria me ferrado em grande estilo. No fim das contas gastei apenas 193 dólares de uma conta de mais de 1200. Mais uma lição, essa possibilidade de cancelamento a baixo custo ou gratuito deve ser encarada como um seguro. Vale pagar mais para ter.

Fechando, depois de resolvida a questão do carro, alugamos um Celtinha básico e trocamos de destino. Ao invés do Uruguai, fomos para a serra gaúcha, bem mais perto. Infelizmente sem o velho, que com a conta do carro largou os planos de viagem. Mas essa outra viagem já é tema de outra postagem.

Fotinhos da viagem mal acabada.

Parada na lanchonete em Cristal, antes do defeito. Todo mundo na maior alegria.




Já no acostamento, esperando o guincho que nunca chega.