terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Passeios do verão: Canela e Gramado

Enquanto estávamos hospedados em São Francisco de Paula, tiramos um dia para passear nas vizinhas famosas Canela e Gramado. Já fomos lá uma porção de vezes, quase sempre em visitas de um dia. E sempre vale a pena.

Quando criança eu passei temporadas lá com a família no Grande Hotel de Canela. Tantas que lembro de eu e meus irmãos dizermos que "tínhamos um chalé em Canela". O chalé era do hotel, soube depois. Lembro muito da última vez, foi no distante ano de 1981. Acho que ficamos lá por uns 15 dias. Lembro muito da mesa de sinuca, dos gansos pelo jardim e dos cafés da manhã com um queijo inigualável.

Desta vez entramos por Canela, já que a estrada de São Chico coloca essa cidade em primeiro no trajeto. Largamos o carro em uma rua qualquer e fomos caminhar, olhar vitrines e tirar fotos. Catedral, rua principal e tal. Entramos nas lojas de chocolate e nas lojas de quinquilharias. Depois de uma pequena série de 'testes práticos' decidimos que a melhor combinação de sabor e preço era do chocolate Florybel.

Demos uma olhada no preço do ingresso das principais atrações, em especial a Snowland, que Pedro queria muito ir. Custava uns 120 reais por pessoa, o que colocaria o passeio familiar acima dos 600 reais com o almoço. Achamos caro demais, embora eu tenha a impressão que deve valer a pena pela experiência que se tem lá. Neve, snowboard, etc e tal. Vai ficar para uma outra oportunidade.

Descartamos o 'Mini Mundo' por causa de um chuvisco persistente, e a cascata do Caracol por ter ido lá ano passado. Decidimos visitar o 'Mundo a Vapor'. Há muito tempo eu tinha ido lá e tinha uma memória bem positiva. Continua positivo. Lugar excelente para entreter garotos com pendores para engenharia. Apresenta uma série de maquetes e instalações a vapor, como olaria, fábrica de papel, usina hidrelétrica e tais. Eu gostei, acho que os guris também. Mas é uma visita rápida, toma uma hora, se tanto. O preço é adequado para o que oferece.

Na saída do Mundo a Vapor paramos no 'Super Carros', porque tinha uns carrões estacionados na frente e um 'transformer' enorme em pé na entrada. Os guris quiseram ir ver. Achamos o ingresso muito caro para ver uns poucos carros e ficamos só pela frente mesmo. A toda hora chegam ou saem os carrões, alugados por turistas para dar uma voltinha de poucos quilômetros pela movimentada e cheia de radares estrada de Gramado a Canela.

Daí fomos passear por Gramado, no mesmo esquema. Larga o carro em algum lugar e sai caminhando por tudo. Gramado estava cheia de turistas, como era de se esperar para 31 de dezembro. Ainda dentro do pacote de eventos 'Natal Luz', a cidade estava toda decorada, e em certa hora passou uma espécie de procissão natalina pelas ruas, com artistas fantasiados, bandinha de música e tal. Legalzinho.

Márcia quis dar uma passeada no Lago Negro. Um dos poucos lugares que não se paga para entrar. Demos uma volta inteira pelo lago, tiramos belas fotos e tal. Valeu.

Demos uma sapeada em preços para jantar em Gramado, mas era virada de ano e os restaurantes inventaram que nesse dia assaltar os clientes é plenamente válido. Então os preços por pessoa oscilavam entre 150 e 200 reais. POR PESSOA. Me desculpem os que pensam o contrário, mas eu acho inaceitável, obsceno, indizível (mentalidade de pobre, eu sei, mas eu também sei o quanto me custa ganhar meu dinheiro). Largamos da ideia de jantar por lá, e voltamos para São Chico.

Gramado e Canela, concluindo, são os melhores exemplos que eu conheço de cidades turísticas. Tudo lá parece perfeitamente planejado para encantar o turista e fazer ele gastar de muitas formas, seja em ingressos ou produtos. E gastar com prazer, gostando de fazer isso. É tudo muito bonito e encantador, mas ao final de um dia passeando por lá eu sempre fico com impressão de ambiente artificial. Fico me perguntando onde almoçam os residentes da cidade, o que fazem. Tenho certeza que não é nos restaurantes turísticos, e que também não passeiam pelas atrações conhecidas. Tenho uma impressão de 'Parque da Disney', em que há um palco de atrações e toda uma infraestrutura não visível por onde circulam os empregados. No final das contas eu prefiro cidadezinhas como São Chico, em que você topa com moradores pelas padarias e cafés, conversa com os atendentes, sente cheiro de 'vida real'. Gramado e Canela ficam sempre para essas rápidas visitas de um dia ou dois.

Fotos do passeio:











segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

3a Viagem Vitória a Porto Alegre - volta, dia 3

O último dia de qualquer viagem de retorno sempre corre o risco de ter seus passeios cancelados e o trajeto abreviado. É que bate um clima de "quero chegar logo" que muda todas as programações. Eu resisti à esse impulso e cumpri integralmente meu trajeto planejado. Como recompensa encontrei o que veio a ser o Roteiro 23 aqui do blog, um ótimo trecho para uma boa motocada.

Comecei o dia na Dutra, saindo de Queluz, cidadezinha que está praticamente na fronteira com o RJ. Finalmente um dia com tempo bom no horizonte e previsão igualmente boa!

Segui rodando pela Dutra até a descida da Serra das Araras. Essa descida, apesar de ser numa serra linda, não dá prazer algum porque é cheia de radares de 40 km/h e enormes caminhões queimando suas lonas de freio. Mas desta vez eu me permiti matar uma curiosidade que tinha de muitas passagens atrás. Parei a moto e subi para ver o que era o que sempre me pareceu uma espécie de santuário fechado, bem no início da descida. É uma construção abandonada em um local super privilegiado no topo da serra, com um visual belíssimo. Eu pensava que fosse algo religioso, mas não era. Talvez tenha sido um restaurante, não sei. Devia ser um lugar muito interessante, pena que fechou.

No final da Serra das Araras entrei para o Arco Metropolitano, nova estrada que evita ter que passar por dentro da cidade do Rio de Janeiro. Excelente! Duplicada, bem sinalizada, perfeita! Para quem quer só cruzar o Rio, sem ir na cidade maravilhosa, recomendo enfaticamente. No meu caso ela era o melhor acesso para a estrada que era objetivo do dia, a subida da Serra dos Órgãos pela BR-116. Desci ela na ida para POA, mas o tempo estava muito fechado para curtir os melhores visuais, e ficou um gostinho de "tenho que passar de novo".

Esse trecho de serra é belíssimo (veja o Roteiro 21 aqui do blog), e valeu muito a motocada. Em termos de pilotagem não é grande coisa, porque o piso é de concreto bem ondulado. Testa a suspensão de qualquer moto, especialmente o quanto ela "copia" o piso, absorve as irregularidades e mantém o pneu sempre em contato com o solo. Não recomendo encarnar o Valentino Rossi nesse trecho!

No entorno de Teresópolis parei para um lanche/almoço e para abastecer. E para decidir que trajeto faria dali para adiante. Tinha a opção de seguir o que indicava o roteiro planejado, subindo até Além Paraíba e seguindo pela BR-393 até a divisa com o ES, ou pegar a mesma estrada da vinda, passando por Nova Friburgo e tais e chegando em Nova Fidélis e Campos. Decidi por Além Paraíba pela distância e tempo de viagem. Já eram 12 horas e ainda faltavam 450 km para rodar. Por Nova Friburgo, seriam mais de 500 km. Aí deu aquela síndrome de chegar logo. Só que dessa vez ela foi benéfica, porque o trecho seguinte da BR-116, até a Além Paraíba, se revelou um paraíso motociclístico. Curvas fenomenais para se fazer entre 100 e 140 km/h, e nenhum radar sequer. Me esbaldei. Quase nem tirei fotos porque o prazer da pilotagem estava no nível máximo.

De Além Paraíba até a divisa com o ES a estrada fica um tanto menos divertida. Tem ainda muitas e boas curvas, mas tem muitas comunidades e quebra-molas. As condições do asfalto também variam muito, desde semi-destruída até recém recapeada. Mas tá melhor que da última vez que tinha passado pelo trecho, em julho de 2015, quando subi por Volta Redonda, Vassouras e Três Rios.

De Santo Antônio de Pádua até chegar perto de Guarapari sofri com um calor absurdo. Foram 39 graus em Apiacá, 38 graus no trevo de Cachoeiro. Adicione roupas de couro bem pesadas para imaginar a delícia que é. Só melhorou na Rodovia do Sol, onde estava fazendo suportáveis 29 graus.

Ao chegar na BR-101 encontrei os turistas que inundam o ES todo verão. Uns tantos indo para as praias, a maioria voltando delas para casa. E com eles, surgiram as barbaridades na estrada, que ainda não tinham aparecido. Perto de Cachoeiro um HB20 bateu de frente numa Hilux e eu devo ter passado pouco tempo depois do fato. A PRF já estava lá, mas a estrada estava cheia dos detritos, e os carros ainda em suas posições. Soube hoje que a motorista do HB20 morreu. Bom, pelo estado do carro era de esperar esse resultado. Partes do motor do carro estavam separadas do carro e espalhadas pelo asfalto.

Esse acidente e um grande congestionamento na BR-101 no sentido contrário me fizeram andar bem cauteloso nesse último trecho. Há poucos pontos de ultrapassagem e os motoristas vão ficando estressados uns andando atrás dos outros mais lerdos. E dão para fazer muita bobagem. Como eu sou um dos elos mais fracos da cadeia alimentar do desastre automobilístico, fiquei quase todo o tempo na borda da pista, quase no acostamento, ultrapassando só na boa.

Cheguei em casa pouco antes das 18:00, depois de 10 horas de pilotagem e 720 km rodados. Inteiro, feliz e muito satisfeito de ter cumprido todos meus objetivos na viagem! Foi um delicioso passeio, tanto a ida quanto a volta. No total rodei 5.292 km com a moto pelo Brasil. Tá bom ou quer mais? Eu quero mais!

Fotos desse dia.

Arco Metropolitano


A Serra dos Órgãos está lá atrás da moto!


Serra das Araras


A estrada tá ali, consegue ver?



O tal do santuário, restaurante, sei lá. Abandonado. Uma pena.




A belíssima Serra dos Órgãos e suas paisagens espetaculares.






Essa abaixo quem tirou foi um ciclista muito simpático e solícito. Gente boa que a gente encontra pelo caminho. Para manter a esperança na espécie humana.




Agora a estrada de Teresópolis a Além Paraíba.



Daí para diante não fotografei mais nada porque já tinha fotos da passagem de 2015. E também não apareceu nenhum grande visual imperdível.

Roteiro 23 - BR-116 de TeresópolisRJ a Além Paraíba/MG

Eu poderia colocar esse trecho junto com o roteiro 21, da Serra dos Órgãos. A BR-116 é a mesma, e os trechos são contíguos, é só seguir adiante de Teresópolis em direção a Além Paraíba. Mas a estrada é tão diferente nas características que preferi fazer um roteiro separado.


Neste trecho de aproximadamente 70 km a BR-116 apresenta uma bela porção de deliciosas curvas que se pode fazer com muito prazer na faixa dos 100 a 140 km/h, dependendo do seu nível de habilidade sobre a moto. O asfalto está perfeito, o tráfego (quando eu passei, num domingo) era bem pequeno, e mais interessante de tudo, não tem um único radar! Nenhunzinho!!! Vá antes que isso acabe!

O visual ao longo da estrada não chega a ser deslumbrante (como no trecho da Serra dos Órgãos), mas está longe de ser ruim. Aqui e ali abrem uns belos vales.

Apenas duas fotos. Não tirei muitas porque as curvas eram deliciosas demais para eu pensar em parar para fotos.





3a Viagem Vitória a Porto Alegre - volta, dia 2

O plano era sair de Curitiba, pegar a Rastro da Serpente, dali seguir para São Paulo, e desta subir pela Dutra até Queluz.

Saí de Curitiba às 7:30, depois de tomar café no hotel, fechar a conta e arrumar a moto. O tempo estava com uma cara bem ruim, mas não chovia. Coloquei o celular com o Google Maps aberto no suporte de guidon para sair da cidade sem dramas e me fui. Eu queria pegar a Estrada da Ribeira, como chamam no Paraná (os paulistas é que colocaram o nome Rastro da Serpente). Essa estrada começa no antigo Trevo do Atuba.

Chegando no trevo, ele não é mais um trevo, só tem opção de continuar no sentido São Paulo. Segui as indicações do Gmaps de entrar bem mais adiante. Só que a entrada indicada pelo Gmaps estava desativada, bloqueada por blocos de gelo baiano. Segui mais adiante para retornar. Voltei para entrar à direita na estrada, mas o Gmaps não indicou a saída, e novamente eu passei do ponto. Mandei o Gmaps às favas e voltei até o trevo do Atuba. Só nessa perdi uns 30 km ou mais zanzando na Régis Bittencourt à toa. Méritos ao Gmaps e à péssima sinalização da cidade de Curitiba.

Logo ao entrar na Rastro, parei para colocar as capas de chuva. Tava muito na cara que ia chover logo ali adiante. Depois de todo encapado segui, mas nessas idas e vindas por erro de mapa e parada para capas acabei perdendo uma hora inteira de viagem.

A Rastro da Serpente é uma estradinha que vai do entorno de Curitiba até Capão Bonito, em SP. Tem mais de 1000 curvas, de todo tipo, das fechadas às abertas, das fáceis às assustadoras. Serpenteia por cima da serra paranaense e paulista, com belos horizontes por todo o percurso. No trajeto cidadezinhas como Tunas, Ribeira, Adrianópolis, Apiaí. Nenhuma delas digna de nota...

Essa estrada é famosa na motoqueirada justamente por ter milhares de curvas. E curva é tudo que se gosta numa moto. Mas tomei uns bons sustos nela. No primeiro, eu estava fazendo uma curva cega para a esquerda, bem fechada. Escolhi a tangente e inclinei a moto. No meio da curva vinha um caminhão enorme de cara para mim. Baita cagaço. Freei com tudo, a moto levantou e segui reto. Me safei só porque minha BMW tem freios com ABS, que eu senti atuando. Cheguei a pensar que ia cair, pois a moto dançou toda. No segundo susto, eu estava em uma curva longa para a esquerda também, daquelas gostosas de pilotar. Moto inclinada, controlando aceleração para manter a inclinação, curtindo muito a brincadeira. Só que no final a pista estava coberta de areia solta! E estar com a moto inclinadona numa pista de areia não é nada agradável (menos ainda seguro...).  Senti a moto dar uma escapadinha de frente, mas retomou aderência e consegui seguir adiante. Bom, essa é a Rastro, uma estrada desafiadora que deve ser curtida como passeio, não como motódromo.

A estrada no trecho paulista está cheia de obras, tive que parar umas duas ou três vezes naqueles pare/siga. Quando as obras terminarem deve ficar top. Vi que estão refazendo a estrada toda, recapeando por completo e até adicionando faixas auxiliares de ultrapassagem.

Saindo da Rastro entrei nas megaestradas paulistas. Raposo Tavares, SP-075 e outras que não lembro o nome. Tudo duplicada, perfeita, coisa de europeu. A velocidade não baixa dos 110 do limite, não tem motivo. E com isso se adianta muito caminho e tempo. Tanto que resolvi, no meio do caminho, passar pelo entorno de Campinas e não por São Paulo. Inventei de pegar a Dom Pedro I para sair lá adiante na Dutra. Adicionava assim uns tantos quilômetros ao trajeto, mas calculando o tempo pela média que vinha conseguindo, parecia tranquilo.

O que eu não contava é que no meio da Dom Pedro I a chuva que eu esperava desde a manhã chegou. E chegou com muita força. Creio ter sido a maior tempestade que eu já atravessei pilotando uma moto. Gotas que pareciam pedradas no capacete e na roupa. Raios caindo perto, me fazendo pensar se atingem motociclistas (será?). Me mantive a uma distância segura do carro da frente, e andamos, eu, ele e o que vinha atrás de mim, a uns 60 ou 70 km/h até passar a tempestade, nem sei quantos quilômetros adiante (muitos). Eu só via as lanternas dele, tudo o mais era branco de água. Não apareceu um único posto de gasolina em todo o trecho para me abrigar e esperar a tempestade passar. Aliás, tem bem poucos postos e pontos de parada nessas megaestradas paulistas. Estranho isso, mas é assim em todas elas.

Passada a tempestade, restou uma chuva constante, mas fraca. E eu segui adiante. Minha meta era Queluz, uma cidadeca na Dutra, a 6 km da divisa com o RJ, onde tem um hotel de beira de estrada que eu conhecia. Barato e aceitável, é parte de um complexo Graal, com posto de gasolina e megalanchonete e restaurante. Garante assim um bom jantar e um bom café no outro dia, além de um precinho muito simpático para viajantes solo.

Pilotei mais de 200 km até chegar lá, já pelas 19:30. Foi um alívio finalmente chegar. Essa última parte do dia foi muito estressante por conta da chuva! Cheguei tão cansado que nem tive condições de fazer esse relato de viagem! Foram 817 km rodados e 12 horas na estrada.

Analisando depois, foi um bom dia de viagem. Superei os desafios, venci as adversidades. E da outra vez que tinha passado na Rastro estava chuviscando, não tinha dado para ver  as paisagens. Desta vez teve trechos até com um solzinho, embora estivesse nubladão. A paisagem paranaense eu já sabia que era bela, mas descobri que a parte paulista também é. Vi florestas inteiras de Ipês roxos, muito legais!

Algumas fotos da Rastro da Serpente. As megaestradas não fotografei, não tem nada de interessante nelas.

Quando vi essa linda árvore florida, tive que parar para fotografar. Depois ela ficou comum para caramba!


Essa placa diz o que é a Rastro da Serpente. Difícil encontrar um trecho reto com mais de 300 metros. É curva e curva e curva.


As árvores floridas. Eu acho que são Ipês, será que são mesmo?


Florestas inteiras... deu uma boa foto, não é mesmo?



Parada em Apiaí/SP, na placa indicativa. Tinha outros três motociclistas ali, em motos grandes. Não quiseram muito papo. Uma pena, eu adoro papear com outros viajantes.


A placa que dá início à Rastro, em Capão Bonito. Fica em frente ao bar Porthal Rastro da Serpente. Creio que tenham sido eles mesmos os inventores do nome para a estrada.


Euzim feliz com o objetivo cumprido. Quase desisti no início, com a cara de chuva que tava. Mas persisti no planejado e valeu a pena!


domingo, 8 de janeiro de 2017

Persistência é a chave para as conquistas

Tô devendo um relato aqui no blog sobre os outros dias que passei em São Chico. E também sobre os outros dois dias de retorno para casa, pois só relatei o primeiro. Mas tem algo que me marcou nessa última viagem, e eu quero compartilhar.

No primeiro dia desta viagem de retorno, ao chegar em Farroupilha o tempo estava bem ruinzinho. Neblina e chuvisco. Eu pensei em desistir de ir a Nova Roma, era uma estrada desconhecida para mim e que teria um trecho de terra. Poderia subir direto por Caxias, muito mais seguro.


No segundo dia, ao sair de Curitiba, olhei o céu e me perguntei "será que vai chover?". As respostas que me vieram foram "certamente", "logo ali na frente" e "bem na sua cabeça". Pensei muito em cancelar a passagem pelas 1000 curvas da Rastro da Serpente e seguir pela mais segura Régis Bittencourt.


No terceiro dia, uns 50 km depois de Campinas peguei uma chuva monstruosa. Talvez a mais forte que já enfrentei de moto. Depois da pancada, mais 200 km de chuva constante, embora mais fraca, até chegar em Queluz. Pensei em parar em São José dos Campos, Taubaté ou Guaratinguetá, ao invés de chegar até onde tinha planejado. 


Mas nos três dias eu preferi insistir no que tinha planejado. E deu certo. A estrada para Nova Roma foi uma belezinha que valeu muito conhecer. Por incrível que me pareça, não choveu uma gota sequer na Rastro e foi ótimo passar lá de novo. E a chuva nas Rodovias Dom Pedro I, Carvalho Pinto e Dutra foi perfeitamente possível de enfrentar pilotando com cuidado. Cheguei em Queluz cansado mas satisfeito de ter cumprido o objetivo do dia.


Teria muitos outros exemplos,  de outras viagens. O próprio ato de viajar de moto sozinho também é um exemplo. Quantas vezes já me perguntaram "Você não tem medo? E se te acontecer alguma coisa?"


É muito fácil desistir. E é igualmente fácil encontrar desculpas muito boas para não fazer o que se queria, devia ou precisava fazer. Mas onde se chega assim? A vida é agora, e o tal do amanhã nunca chega.


Tem uma frase que me aparece na mente nessas horas:


"Não se conquista nada desistindo antes de tentar."


Simples, meio óbvio até, mas para mim funciona.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

3a Viagem Vitória a Porto Alegre - volta, dia 1

E foi dada a largada na viagem de retorno para casa! Fiz uns 720 km hoje, vindo de Porto Alegre a Curitiba pela BR-116.

Na verdade não vim o tempo todo pela 116, porque já havia feito isso nas duas viagens anteriores e queria experimentar outras estradas. Subi pela RS-122, de São Leopoldo a Farroupilha. A maior parte do trajeto é numa estrada duplicada completamente sem graça e cheia de radares. Só depois de uns 90km de Porto é que começa a subida da serra, e com ela a diversão.

A subida a Farroupilha me pareceu curtinha, comparada com a subida da BR-116 por Nova Petrópolis. Mas tem curvas bem legais para deitar a moto, e todo o trecho de subida tem pista auxiliar para ultrapassar caminhões e detestaveis SUVs sempre lentos.

Eu queria experimentar mesmo era o trecho de Farroupilha a Nova Roma do Sul. E ele não me decepcionou. É uma estradinha de pista simples sem acostamento, cheia de curvas fechadas (não tão fechadas quanto uma SRR ou subida de Ubatuba, mas de baixa velocidade). Em boa parte do trecho a estrada atravessa um trecho de mata aparentemente intocada. Tem uma cachoeira no meio do caminho, e uma ponte sensacional de ferro sobre o Rio das Antas.

De Nova Roma a Antônio Prado a estrada era de terra bem pedregosa. Minha moto não é a melhor para esse tipo de pavimento, e eu também sou um nada pilotando nessas condições. Então apenas cuidei de chegar inteiro ao asfalto do outro lado, uns 20km depois. E aí ganhei dois presentinhos - conheci a cidade de Antônio Prado, que se intitula "a cidade mais italiana do Brasil", e passei na estrada que vai dela até a BR-116, já pertinho de Vacaria.

Antônio Prado me deu vontade de voltar para conhecer melhor. Tem uma porção de construções antigas naquele estilo dos colonos italianos por todo o trecho que atravessei da cidade.

O trecho de estrada de Antônio Prado até a BR-116 foi o melhor do dia em termos de prazer de pilotar. Curvas deliciosas, asfalto novinho, boa sinalização, belas paisagens. Pacote completo. Fiquei bem curioso de ver se o trecho que vai de Caxias até Antônio Prado é da mesma qualidade. Se for, é mais uma estrada para a lista de boas estradas para uma motocada.

De Vacaria até Curitiba eu vim pela BR-116 o tempo todo. É a 3a vez que rodo nela, e não me canso. É uma estrada muito bonita, bem cuidada, com a bela paisagem dos campos de cima da serra catarinense que eu gosto muito. Não tem muito trânsito, mas dessa vez parei umas duas ou três vezes por obras na pista. Mesmo assim foi um prazer rodar nela. Só o que atrapalhou um pouco foi a chuva, que caiu aqui e ali desde Santa Cecília até Curitiba. Foi só chuvisco, nada crítico, mas me forçou a rodar "plastificado" o tempo todo, o que é sempre desconfortável. Pelo menos não estava calor. De 20 a 23 graus em toda a viagem.

Uma nota bobinha - o suporte para celular que coloquei na moto funcionou super bem. O celular ficou bem firme, nem balança. E o celular no guido me ajudou para caramba na hora de encontrar o hotel em Curitiba. Finalmente consegui conciliar o Waze e a moto! Agora só falta um jeito de carregar a bateria dele. A moto tem uma tomada 12v, mas é de um formato diferente do padrão. Coisas da BMW.

Fotinhos:

Adivinha quem apareceu lá em cima da serra? A neblina! Meio do verão e uma baita neblina, que é isso?


A estradinha deliciosa de Farroupilha a Nova Roma:








O Rio das Antas:


Estradinha de terra de Nova Roma a Antônio Prado.



Trecho de Antônio Prado à BR-116




Não tirei fotos da BR-116 porque já tenho de viagens anteriores, e também por causa das chuvas ocasionais. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

3a Viagem Vitória a Porto Alegre - planejamento do retorno

Amanhã começo a terceira parte da minha viagem de verão, o retorno de moto para casa. Bom, melhor dizer a quarta parte, porque teve a grande vinda, a viagem frustrada ao Uruguai, a viagem a São Chico, e agora o retorno.

Serão três dias de moto até lá. Pouco mais de 700 km para rodar a cada dia. E pelo menos uma estrada interessante ou deconhecida a cada dia.

É bem menos quilometragem que fiz na vinda, porque disponho de menos tempo para voltar. Também não vou poder colocar montes de estradas deliciosas, porque demoraria muito. Mas também não topo a ideia se subir daqui até lá só por autoestradas sem graça, então pelo menos um ou dois trechos legais de rodar todo dia tem.

No primeiro dia, vou de Porto Alegre a Curitiba pela serra. Mas desta vez não vou pela BR-116 direto como das outras duas vezes. Vou passar por Farroupilha e Nova Roma, saindo perto de Vacaria. Dessa cidade adiante é a 116 direto. Esse novo trecho de subida de serra no RS faz parte de um dos roteiros que estão recomendados aqui no blog, vou testá-lo.

De POA a Curitiba, passando por Farroupilha, Nova Roma e BR-116

713 km, previsão de 10 h 26 min na estrada.
https://goo.gl/maps/YaEbTSmARPq


No segundo dia a pedida é fazer novamente a Rastro da Serpente, que passei no sentido inverso no inverno de 2015. Vamos ver se consigo passar com tempo bom! Depois da Rastro é tudo trajeto pelas megaestradas paulistas até Queluz ou cidade próxima a essa.

De Curitiba até Queluz pela Rastro da Serpente

730 km, previsão de 10 h 20 min na estrada.
 https://goo.gl/maps/SuxaM8bTz1E2



E no último dia vou de Queluz até Vitória, mas passando novamente pela fantástica Serra dos Órgãos. Dela subo mais até a BR-393, passo por Santo Antônio de Pádua e entro no ES já em Apiacá.

De Queluz até Vitória pela Serra dos Órgãos e BR-393

712 km, previsão de 10 h 13 min de estrada.
https://goo.gl/maps/mECXh9A9aAt



Tudo isso até aqui é projeto. Se vou conseguir fazer como planejado vai depender muito das condições de clima e da estrada. Torço muito para um tempo seco, embora a previsão do aplicativo para amanhã já não seja exatamente a melhor possível.