terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Passeios do verão: Cachoeiras de São Chico

Nos disseram lá que São Chico é a cidade do RS com a maior quantidade de nascentes de água. Acredito. Também deve ser a que tem a maior quantidade de cachoeiras! É impressionante como tem cachoeiras.

Se você vai para o lindo, antigo e charmoso 'Parador Hampel', que tem mais de 120 anos de operação, no parque do hotel tem belas cachoeiras para conhecer. Se for para o Terra do Sempre, tem outras seis. Se ficar no Parque das Oito Cachoeiras, bom, o nome já diz, né? E ainda tem o 'Parque da Cachoeira' e outras tantas menos conhecidas.

Desta vez nós visitamos o Terra do Sempre e o Parque das Oito Cachoeiras. Os dois ficam numa mesma estradinha de terra que desce as encostas da serra, razoavelmente perto da cidade.

O Parque Terra do Sempre tem uma pousada com quartos para quem quiser se hospedar lá, mas eu acho bem mais interessante ficar hospedado na cidade e passear lá. O 'day use' custa 15 pilas por pessoa, e dá direito a passear nas trilhas e cachoeiras. São 6 cachoeiras para visitar e, se quiser, tomar banho nelas. Todas com acesso fácil por trilhas abertas na mata.

O Parque das Oito Cachoeiras eu achei muito melhor. Também tem pousadinha dentro, ainda mais rústica que a do Terra do Sempre.  Mas também permite day-use, o que me parece muito melhor. Custa só 10 reais por pessoa. Dentro do parque, diferente do que o nome apregoa, se encontram dez cachoeiras. DEZ. As duas que não entram no nome são menores - para os padrões deles, claro, porque em outros lugares do mundo poderiam ser até atrações principais.

As trilhas no Parque das Oito Cachoeiras são graduadas em níveis de dificuldade de 1 a 5. Nós fomos a seis cacheiras, quatro das listadas e essas duas menores que falei. Das quatro listadas que fomos duas eram de nível fácil, uma de grau 3 uma de grau 4. Só eu e Marcelo chegamos ao final da trilha de grau 4, então não é fácil mesmo. As cascatas são sensacionais, eu adorei. Vou ter que voltar outra vez para ir nas cachoeiras que não fomos, embora duas delas sejam de grau 5 (imagino a dificuldade!!).

Caminhar pelas trilhas também é delicioso, pois é mata pura em volta. Ar puro de mata é uma delícia para quem mora em grandes cidades! Só senti falta de ver animais, pensei que haveriam macacos ou pelo menos micos por meio de tanta mata. Bom, eles podem ficar escondidos lá nas copas das árvores, evitando contato com esse bicho daninho - humanos.

Fotos das cachoeiras e trilhas do Terra do Sempre:












A área da pousada:



Essa vista é da estrada que leva para os parques. Olha uma cascatona lá no centro da foto! Não sei qual ela é nem se faz parte dos parques.


Fotos das trilhas e cachoeiras do Parque das Oito Cachoeiras:

Cachoeira do Remanso:



Parte das trilhas:




Cachoeira da Escondida:



Essa duas aí abaixo são as 'não listadas'! Não consideram elas importantes para constar da conta!



Cachoeira da Neblina:




Mais das trilhas:



Cacheira da Ronda, a mais difícil das que fomos. Olha a sensação de 'accomplishment' do Marcelo ao chegar lá!


Fotos não eram suficientes para a beleza do lugar. Fiz uns videozinhos das quatro principais cachoeiras que nós fomos. Para quem quiser assistir e ver melhor cada uma delas, seguem aí!

Cachoeira do Remanso, a primeira que fomos. Acesso fácil.


Cachoeira da Escondida, no mesmo caminho da Remanso.


Cachoeira da Neblina, uma das que gostei mais. A cascata forma uma ventania de vapor no canto direito, daí o nome.


Cachoeira da Ronda, a de maior grau de dificuldade (4) entre as que fomos. Difícil de chegar, mas vale demais!



Passeios do verão: Canela e Gramado

Enquanto estávamos hospedados em São Francisco de Paula, tiramos um dia para passear nas vizinhas famosas Canela e Gramado. Já fomos lá uma porção de vezes, quase sempre em visitas de um dia. E sempre vale a pena.

Quando criança eu passei temporadas lá com a família no Grande Hotel de Canela. Tantas que lembro de eu e meus irmãos dizermos que "tínhamos um chalé em Canela". O chalé era do hotel, soube depois. Lembro muito da última vez, foi no distante ano de 1981. Acho que ficamos lá por uns 15 dias. Lembro muito da mesa de sinuca, dos gansos pelo jardim e dos cafés da manhã com um queijo inigualável.

Desta vez entramos por Canela, já que a estrada de São Chico coloca essa cidade em primeiro no trajeto. Largamos o carro em uma rua qualquer e fomos caminhar, olhar vitrines e tirar fotos. Catedral, rua principal e tal. Entramos nas lojas de chocolate e nas lojas de quinquilharias. Depois de uma pequena série de 'testes práticos' decidimos que a melhor combinação de sabor e preço era do chocolate Florybel.

Demos uma olhada no preço do ingresso das principais atrações, em especial a Snowland, que Pedro queria muito ir. Custava uns 120 reais por pessoa, o que colocaria o passeio familiar acima dos 600 reais com o almoço. Achamos caro demais, embora eu tenha a impressão que deve valer a pena pela experiência que se tem lá. Neve, snowboard, etc e tal. Vai ficar para uma outra oportunidade.

Descartamos o 'Mini Mundo' por causa de um chuvisco persistente, e a cascata do Caracol por ter ido lá ano passado. Decidimos visitar o 'Mundo a Vapor'. Há muito tempo eu tinha ido lá e tinha uma memória bem positiva. Continua positivo. Lugar excelente para entreter garotos com pendores para engenharia. Apresenta uma série de maquetes e instalações a vapor, como olaria, fábrica de papel, usina hidrelétrica e tais. Eu gostei, acho que os guris também. Mas é uma visita rápida, toma uma hora, se tanto. O preço é adequado para o que oferece.

Na saída do Mundo a Vapor paramos no 'Super Carros', porque tinha uns carrões estacionados na frente e um 'transformer' enorme em pé na entrada. Os guris quiseram ir ver. Achamos o ingresso muito caro para ver uns poucos carros e ficamos só pela frente mesmo. A toda hora chegam ou saem os carrões, alugados por turistas para dar uma voltinha de poucos quilômetros pela movimentada e cheia de radares estrada de Gramado a Canela.

Daí fomos passear por Gramado, no mesmo esquema. Larga o carro em algum lugar e sai caminhando por tudo. Gramado estava cheia de turistas, como era de se esperar para 31 de dezembro. Ainda dentro do pacote de eventos 'Natal Luz', a cidade estava toda decorada, e em certa hora passou uma espécie de procissão natalina pelas ruas, com artistas fantasiados, bandinha de música e tal. Legalzinho.

Márcia quis dar uma passeada no Lago Negro. Um dos poucos lugares que não se paga para entrar. Demos uma volta inteira pelo lago, tiramos belas fotos e tal. Valeu.

Demos uma sapeada em preços para jantar em Gramado, mas era virada de ano e os restaurantes inventaram que nesse dia assaltar os clientes é plenamente válido. Então os preços por pessoa oscilavam entre 150 e 200 reais. POR PESSOA. Me desculpem os que pensam o contrário, mas eu acho inaceitável, obsceno, indizível (mentalidade de pobre, eu sei, mas eu também sei o quanto me custa ganhar meu dinheiro). Largamos da ideia de jantar por lá, e voltamos para São Chico.

Gramado e Canela, concluindo, são os melhores exemplos que eu conheço de cidades turísticas. Tudo lá parece perfeitamente planejado para encantar o turista e fazer ele gastar de muitas formas, seja em ingressos ou produtos. E gastar com prazer, gostando de fazer isso. É tudo muito bonito e encantador, mas ao final de um dia passeando por lá eu sempre fico com impressão de ambiente artificial. Fico me perguntando onde almoçam os residentes da cidade, o que fazem. Tenho certeza que não é nos restaurantes turísticos, e que também não passeiam pelas atrações conhecidas. Tenho uma impressão de 'Parque da Disney', em que há um palco de atrações e toda uma infraestrutura não visível por onde circulam os empregados. No final das contas eu prefiro cidadezinhas como São Chico, em que você topa com moradores pelas padarias e cafés, conversa com os atendentes, sente cheiro de 'vida real'. Gramado e Canela ficam sempre para essas rápidas visitas de um dia ou dois.

Fotos do passeio:











segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

3a Viagem Vitória a Porto Alegre - volta, dia 3

O último dia de qualquer viagem de retorno sempre corre o risco de ter seus passeios cancelados e o trajeto abreviado. É que bate um clima de "quero chegar logo" que muda todas as programações. Eu resisti à esse impulso e cumpri integralmente meu trajeto planejado. Como recompensa encontrei o que veio a ser o Roteiro 23 aqui do blog, um ótimo trecho para uma boa motocada.

Comecei o dia na Dutra, saindo de Queluz, cidadezinha que está praticamente na fronteira com o RJ. Finalmente um dia com tempo bom no horizonte e previsão igualmente boa!

Segui rodando pela Dutra até a descida da Serra das Araras. Essa descida, apesar de ser numa serra linda, não dá prazer algum porque é cheia de radares de 40 km/h e enormes caminhões queimando suas lonas de freio. Mas desta vez eu me permiti matar uma curiosidade que tinha de muitas passagens atrás. Parei a moto e subi para ver o que era o que sempre me pareceu uma espécie de santuário fechado, bem no início da descida. É uma construção abandonada em um local super privilegiado no topo da serra, com um visual belíssimo. Eu pensava que fosse algo religioso, mas não era. Talvez tenha sido um restaurante, não sei. Devia ser um lugar muito interessante, pena que fechou.

No final da Serra das Araras entrei para o Arco Metropolitano, nova estrada que evita ter que passar por dentro da cidade do Rio de Janeiro. Excelente! Duplicada, bem sinalizada, perfeita! Para quem quer só cruzar o Rio, sem ir na cidade maravilhosa, recomendo enfaticamente. No meu caso ela era o melhor acesso para a estrada que era objetivo do dia, a subida da Serra dos Órgãos pela BR-116. Desci ela na ida para POA, mas o tempo estava muito fechado para curtir os melhores visuais, e ficou um gostinho de "tenho que passar de novo".

Esse trecho de serra é belíssimo (veja o Roteiro 21 aqui do blog), e valeu muito a motocada. Em termos de pilotagem não é grande coisa, porque o piso é de concreto bem ondulado. Testa a suspensão de qualquer moto, especialmente o quanto ela "copia" o piso, absorve as irregularidades e mantém o pneu sempre em contato com o solo. Não recomendo encarnar o Valentino Rossi nesse trecho!

No entorno de Teresópolis parei para um lanche/almoço e para abastecer. E para decidir que trajeto faria dali para adiante. Tinha a opção de seguir o que indicava o roteiro planejado, subindo até Além Paraíba e seguindo pela BR-393 até a divisa com o ES, ou pegar a mesma estrada da vinda, passando por Nova Friburgo e tais e chegando em Nova Fidélis e Campos. Decidi por Além Paraíba pela distância e tempo de viagem. Já eram 12 horas e ainda faltavam 450 km para rodar. Por Nova Friburgo, seriam mais de 500 km. Aí deu aquela síndrome de chegar logo. Só que dessa vez ela foi benéfica, porque o trecho seguinte da BR-116, até a Além Paraíba, se revelou um paraíso motociclístico. Curvas fenomenais para se fazer entre 100 e 140 km/h, e nenhum radar sequer. Me esbaldei. Quase nem tirei fotos porque o prazer da pilotagem estava no nível máximo.

De Além Paraíba até a divisa com o ES a estrada fica um tanto menos divertida. Tem ainda muitas e boas curvas, mas tem muitas comunidades e quebra-molas. As condições do asfalto também variam muito, desde semi-destruída até recém recapeada. Mas tá melhor que da última vez que tinha passado pelo trecho, em julho de 2015, quando subi por Volta Redonda, Vassouras e Três Rios.

De Santo Antônio de Pádua até chegar perto de Guarapari sofri com um calor absurdo. Foram 39 graus em Apiacá, 38 graus no trevo de Cachoeiro. Adicione roupas de couro bem pesadas para imaginar a delícia que é. Só melhorou na Rodovia do Sol, onde estava fazendo suportáveis 29 graus.

Ao chegar na BR-101 encontrei os turistas que inundam o ES todo verão. Uns tantos indo para as praias, a maioria voltando delas para casa. E com eles, surgiram as barbaridades na estrada, que ainda não tinham aparecido. Perto de Cachoeiro um HB20 bateu de frente numa Hilux e eu devo ter passado pouco tempo depois do fato. A PRF já estava lá, mas a estrada estava cheia dos detritos, e os carros ainda em suas posições. Soube hoje que a motorista do HB20 morreu. Bom, pelo estado do carro era de esperar esse resultado. Partes do motor do carro estavam separadas do carro e espalhadas pelo asfalto.

Esse acidente e um grande congestionamento na BR-101 no sentido contrário me fizeram andar bem cauteloso nesse último trecho. Há poucos pontos de ultrapassagem e os motoristas vão ficando estressados uns andando atrás dos outros mais lerdos. E dão para fazer muita bobagem. Como eu sou um dos elos mais fracos da cadeia alimentar do desastre automobilístico, fiquei quase todo o tempo na borda da pista, quase no acostamento, ultrapassando só na boa.

Cheguei em casa pouco antes das 18:00, depois de 10 horas de pilotagem e 720 km rodados. Inteiro, feliz e muito satisfeito de ter cumprido todos meus objetivos na viagem! Foi um delicioso passeio, tanto a ida quanto a volta. No total rodei 5.292 km com a moto pelo Brasil. Tá bom ou quer mais? Eu quero mais!

Fotos desse dia.

Arco Metropolitano


A Serra dos Órgãos está lá atrás da moto!


Serra das Araras


A estrada tá ali, consegue ver?



O tal do santuário, restaurante, sei lá. Abandonado. Uma pena.




A belíssima Serra dos Órgãos e suas paisagens espetaculares.






Essa abaixo quem tirou foi um ciclista muito simpático e solícito. Gente boa que a gente encontra pelo caminho. Para manter a esperança na espécie humana.




Agora a estrada de Teresópolis a Além Paraíba.



Daí para diante não fotografei mais nada porque já tinha fotos da passagem de 2015. E também não apareceu nenhum grande visual imperdível.