terça-feira, 18 de junho de 2019

Revisão completa do projeto da viagem!

E o planejamento que eu tinha feito para os primeiros dias de viagem foi para o ralo!

Descobri ontem, conversando com um amigo, que tinha um erro grave no meu planejamento para o primeiro dia de viagem. Eu tinha considerado que o Tiradentes Bikefest começaria na 5a feira de Corpus Christi, dia 20, mas na verdade é na 5a feira seguinte, dia 27. Eu tinha planejado acompanhar uma turma de amigos que sempre vai ao encontro nesse primeiro dia, e no dia seguinte seguir sozinho para o interior de São Paulo. Mas como o encontro é na outra semana, não há turma alguma de amigos indo a Tiradentes nessa 5a feira e todo o trajeto do primeiro dia perdeu o sentido. Também o do segundo.

Estou aqui quebrando a cabeça pensando em outro trajeto. Na real essa era a parte diferente dessa viagem, o caminho nunca traçado. Agora que não terá esse trecho e sua sequência, os caminhos alternativos todos são quase todos escolhas repetidas. Terei algumas novidades apenas no 2o dia. Mas isso não tira a graça da viagem!

Dia 1 - 598 km em 10h09


No primeiro dia não pretendo ir pela BR-101, que seria o caminho mais rápido. Não estou com pressa e esse trajeto não tem mais graça porque já passei nele muitas vezes de carro ou moto. Acho que vou pela Rodosol até Marataízes e dali pego o acesso para a BR-101. Desta entro antes da divisa por Apiacá em sentido a Bom Jesus do Itabapoana. Mais uma vez vou evitar passar em Campos, porque é uma cidade sem nenhuma beleza e muito quente. Também tem trânsito confuso, engarrafado, cheio de sinais e quebra-molas.

De Bom Jesus eu sigo pela BR-393 até Barra Mansa, onde devo fazer a primeira parada. Não tem nada desconhecido nesse trecho todo, afora o fato de nunca ter entrado em Barra Mansa. Passei na BR-393 na volta da última viagem, por exemplo. É uma estradinha simples, sem maiores atrativos, mas é tranquila. Meu tipo de estrada. Comunidadezinhas aqui e ali para quebrar a monotonia.

Dia 2 - 483 km em 7h51



As novidades aparecem no 2o dia. Saio de Barra Mansa pela Dutra apenas até a saída para São Lourenço, pouquinho antes da divisa do Rio com São Paulo. Subo essa estradinha por onde nunca passei, e que pelo mapa me promete montes de curvas. É região de serra e passa ao lado do Parque Nacional do Itatiaia. Espero belas paisagens.

De São Lourenço sigo pelo interior passando por cidadezinhas como Piranguinho e Paraisópolis até chegar na Fernão Dias em Cambuí. Espero que seja uma tranquila estrada de interior cheia de curvas e pequenas comunidades aqui e acolá.

Desço a Fernão Dias até Atibaia e subo uma parte da Dom Pedro. A Fernão e a Dom Pedro são mega-estradonas duplicadas e vão dar um intervalo no meu circuito de estradinhas. Saio da Dom Pedro para encarar uma estrada super famosa na galera speed paulista - a estrada de Morungaba a Amparo. Curvas e mais curvas, até onde sei. Promete ser uma parte deliciosa!

O dia termina em Pedreira, pequena cidade paulista onde nunca estive e onde vou encontrar o amigo Paolo Gera, que vem ajudando a traduzir os vídeos do canal para espanhol. Paolo é motociclista das antigas, cheio de histórias de grandes viagens e belas motos no currículo. Um bom papo me aguarda na noite do 2o dia!

Dia 3 - 745 km em 10h00


O terceiro dia não tem estradas novas, mas os repetecos me agradam muito. Vou descer da região de Sorocaba pela Serra da Macaca, passando pela estrada do Parque Carlos Botelho. Já passei duas vezes, uma em cada sentido, mas é trajeto que não cansa - uma estradinha de bloquete por entre a mata atlântica. É linda. A gente anda a 30 ou 40 km/h por uns tantos quilômetros, para toda hora para tirar fotos, atrasa a viagem toda, mas vale a pena. É daqueles trechos que ficam na memória.

Depois dela vem outra das minhas prediletas, a Régis Bittencourt. Mega-estradona duplicada, mas cheia de curvas e paisagens bonitas. Muito gostosa. Vou nela até o anel viário de Curitiba e pego a descida da BR-376 e a BR-101 até chegar em Balneário Camboriú. Se o tempo não der paro em Joinville, ou onde o anoitecer me encontrar. Essa região tem muitas opções de paradas nas belas praias catarinenses.

Dia 4 - 659 km em 9h19


O quarto dia também tem repetecos deliciosos. Pretendo subir a linda BR-282, passar novamente por Urubici e descer a Serra do Rio do Rastro. Vai ser a segunda subida da BR-282 e a 5a ou 6a passagem pela SRR. Nunca cansam!

Depois de descer a Serra do Rio do Rastro entro em modo "go-home". Aí é só seguir para Porto Alegre pela BR-101. Só que esse é sempre um trecho emocionante. A passagem pela divisa SC/RS e depois toda BR-101 gaúcha e a Freeway são estradas que me trazem muitas lembranças boas. É meu lugar, é meu rincão, são minhas raízes que aparecem expostas toda vez que passo aí.

terça-feira, 21 de maio de 2019

A diversão de uma grande viagem começa no planejamento!

A diversão de uma boa viagem de moto começa muito antes do dia que a gente monta na moto e cai na estrada.

Lá no final de junho deste ano eu devo fazer mais uma mega-trip para Porto Alegre. Quero aproveitar o feriado de Corpus Christi e a semana posterior para ir visitar meu pai, irmãos e outras pessoas queridas que moram em POA. Claro que poderia ir de avião, mas que graça isso teria? Minha diversão é ir de moto!

Falta um mês ainda, mas a viagem já começou na minha mente. Na real, começou no exato dia que eu decidi ir, mas à medida que a data se aproxima ela vai pouco a pouco tomando forma.

Há muitos preparativos a fazer mesmo quando se é um viajante frequente e acostumado com os trechos. Preciso renovar a CNH, trocar os pneus da moto e finalizar uma revisão pré-viagem que já está pelo meio. Penso em comprar uma nova capa de chuva e uma bateria extra para a action-cam. Tambem preciso pensar que roupas e equipamentos devo levar. Vou revisitar anotações de outras viagens pois tenho muitas listas dessas coisas arquivadas no meu Google Keep. Facilita muito não jogar essas coisas fora!

Mas a parte mais divertida do planejamento nem é essa. É a escolha do trajeto! Hoje eu fiquei horas no Google Maps sumulando roteiros e paradas. Escolhendo estradas que me interessa passar e lugares onde pretendo fazer as paradas.

Eu já decidi que no 1o dia vou de Vitória a Tiradentes. Claro que Tiradentes não é caminho para POA e vai adicionar quilometragem e tempo ao trajeto, mas o lance é que uns amigos vão para o Encontro Nacional de Motociclistas lá e eu achei que seria maneiro acompanhar e fazer um trecho da viagem em grupo. A estrada para lá não é uma novidade para mim porque já fui no Encontro em 2013, mas a curtição de viajar com o grupo compensa.

A partir do segundo dia a viagem é solo. Só eu e Milana, sem nem garupa. Eu, minha moto e a estrada! É uma viagem fora e outra dentro da gente, na imensidão do capacete!

Nesse dia programei passar numa estrada famosa da galera da velocidade paulista que ainda não conheço, a estrada de Morungaba. Então vou descer a Fernão Dias e subir um pedacinho da Dom Pedro para chegar nela. Depois, faço uma paradinha em Pedreira para dar um abraço em um novo amigo que o Canal Rods na Garagem me trouxe, o Paolo Gera. Um café com ele e sigo até Sorocaba para fechar o trecho do dia.

No terceiro dia quero pegar a Estrada da Cabeça da Anta novamente. Fazer todas aquelas curvas no meio da mata fechada e depois curtir as curvas e os longos trechos despovoados da Régis Bittencourt. Passo direto pelo anel viário de Curitiba e pego a BR-116, mas não vou longe nela. Entro para São Bento do Sul e desço pela estrada de Dona Francisca até a BR-101 só porque gosto de estradinha secundária. Acabo o dia em Tijucas na casa de um amigo de longa data que não vejo já muito tempo, o Eduardo.

No quarto dia minha ideia é subir novamente a deliciosa BR-282 até Bom Retiro, entrar para Urubici, fazer a volta pela Serra do Rio do Rastro e depois seguir para Porto Alegre pela BR-101. Eu já fui na SRR umas cinco vezes, mas passar lá nunca cansa! É a Meca dos motociclistas brasileiros.

Bom, essa é a ideia de roteiro que montei hoje. Viajei horas sentado no sofá pensando em cada trecho, adicionando trechos, mudando paradas. Mas a verdade é que mesmo assim nada está completamente definido e até o dia de sair posso mudar tudo. E sem dizer que depois, na estrada, ainda pode mudar tudo pelas condições do tempo. Planejar é bom, mas é importante manter a flexibilidade de se ajustar ao que aparece!

Trajeto dia 1

Trajeto dia 2

Trajeto dia 3

Trajeto dia 4



segunda-feira, 4 de março de 2019

Monumento Natural dos Pontões Capixabas

Sempre é tempo de conhecer lugares novos! Esse Monumento Natural dos Pontões Capixabas eu, mesmo com mais de 25 anos de ES, ainda não conhecia!

Fica bem no meio do ES, região de Colatina. Vai em sentido Pancas e envereda por estradinhas de terra em direção à Águia Branca. No caminho diversas formações rochosas enormes e lindas fazem a paisagem!

Creio que ainda haja muitos outros pontões no trecho de estrada até Pancas e desta até Alto Rio Novo, e esse vai ser caminho para um futuro passeio.









quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

4a Viagem de moto de Vitória a Porto Alegre - Estatísticas

Roteiro da ida: 2401 km com paradas em Caxambu/MG, Registro/SP e Lages/SC


Roteiro da volta: 2394 km com paradas em Joinville/SC, Itu/SP e Itaipava/RJ



Motocicleta: BMW F800R 2013
Odômetro inicial: 21991
Odômetro final: 26880




Distâncias e tempo:

Dias de pilotagem: 8 dias (4 na ida, 4 na volta)
Distância total percorrida: 4889 km

Distância média diária: 611 km
Tempo de pilotagem por dia: 10 a 11 horas

Combustível:

Custo em combustível: R$  943,70
Consumo total: 221 litros de gasolina
Consumo médio: 22,12 km/l
Preço médio da gasolina: R$ 4,26
Maior preço da gasolina: R$  4,80 (RJ)
Menor preço da gasolina: R$ 3,90 (SC)

Hospedagem:

Custo total em hotel:  R$ 975,64
Diárias de hotel: 6
Preço médio das diárias: R$  162,61
Maior preço de diária: R$ 184,76 (Itatiaia/RJ)
Menor preço de diária: R$ 145,00 (Registro/SP)

Alimentação e outras bobagens:

Custo total: R$ 944,00
Custo total na ida: R$ 383,00
custo total na volta: R$ 560,00

Equipamentos na moto e eletrônicos:

- Bagageiro SW-Motech específico para F800R
- Bauleto Givi 46 litros
- Bolsa interna para o Bauleto com 42 litros
- Mala tanque Givi expansível
- Tomada 5V com 2 saídas USB no guidom
- Suporte para celular no guidom
- Conjunto de intercomunicadores Netphone V6
- Celulares com Google Maps e Booking
- Carregador de tomada com 4 saídas USB
- Elástico aranha

Ferramentas:

- Canivete de chaves Torx
- Canivete de chaves Allen
- Canivete múltiplo
- Scanner GS-911
- Chave de boca variável
- Mão de força pequena
- Soquetes 22 e 24 mm
- Tubo spray para conserto de pneus Motul
- 1 lâmpada farol reserva
- 1 lâmpada de freio reserva

Equipamentos piloto (eu):

- Capacete Zeus 813A
- Conjunto de macacão de couro 2 peças Texx
- Blusa 2a pele manga longa
- Bermuda para ciclismo com gel
- Luvas de couro cano longo Apex
- Botas para motociclismo Race Tech
- Conjunto de capa de chuva Pioneira com polainas
- Luvas de látex de serviços gerais (para sobrepor na chuva)

Equipamentos piloto 2 (meu filho):

- Capacete HJC CL-ST
- Jaqueta de Cordura ventilada Furious
- Calça de Cordura impermeável Ixon Climber
- Blusa 2a pele manga longa
- Bermuda para ciclismo com gel
- Luvas de couro cano longo Apex
- Botas para motociclismo Rafale
- Conjunto de capa de chuva Alba com polainas
- Luvas de látex de serviços gerais

Generalidades:

- Por preferência pessoal não economizei em hotel e alimentação. Escolhi hotéis o mais confortáveis possível com diária perto de R$ 150,00. Depois de 10 ou 11 horas sobre uma moto, enfrentando calor e/ou chuva, tudo que eu quero é um bom banho, uma cama confortável e boa comida.

- Todos os hotéis foram reservados pelo www.booking.com no mesmo dia usando o app deles no celular em alguma parada durante o trajeto.

- Quanto a restaurantes, no meio da estrada era na base do que aparecia na frente. À noite a gente compensava comendo bem de verdade. Os restaurantes do retorno foram mais sofisticados (restaurantes dos próprios hotéis em duas noites).

- Não tivemos qualquer defeito na moto em toda a viagem. Nem um pneu furado sequer.

- Um dos intercomunicadores Netphone V6 pifou no 2o dia e foi trocado em garantia pelo vendedor durante minha estadia em Porto Alegre. Na volta os dois funcionaram perfeitamente o tempo todo. Esses aparelhinhos revolucionam a experiência de andar de moto, permitindo conversa contínua entre piloto e garupa ou mesmo entre duas moto. Não viajo mais sem eles.

- Como a moto não deu defeito algum, não foi necessário utilizar qualquer das ferramentas, o scanner ou as lâmpadas de reserva. Mas eu gosto de estar preparado para pequenas contingências.





4a Viagem a Porto Alegre de moto - volta, dia 4

Tem uma música gaúcha já clássica que diz que "quando é tempo de tosquia já clareia o dia com outro sabor". Nas viagens o último dia também é assim, mas de um jeito ruim - bate uma vontade de chegar logo, o cansaço se manifesta mais cedo, as dores parecem maiores que nos dias anteriores. E aí fica um grande desafio a gente não abusar da velocidade ou perder a atenção na pilotagem, ou ainda, não curtir direito a motocada.

Eu tento dar jeito nisso colocando umas estradinhas interessantes nesse dia também, para que além de apenas ir para casa a gente tenha ainda o que aproveitar do trajeto. Hoje tivemos no cardápio três trechinhos legais em sequência - de Petrópolis a Teresópolis (chamada Rota Romântica), de Teresópolis a Nova Friburgo (estrada Tere-Fri) e o trecho de Friburgo a Cordeiro, todos no alto da Serra Carioca.

Saímos de Itaipava ainda com uma neblinazinha de serra pelo ar. Passadas as encrencas do trecho urbano, a Rota Romântica se mostrou maravilhosa! Eu tinha passado nela no sentido contrário em outra viagem, e hoje, com Marcelo curtindo a pilotagem, eu pude apreciar mais da vista espetacular. A estrada corre o tempo todo pelo topo de serra entre as duas cidades, descortinando aqui e ali visuais muito legais dos vales abaixo. Enquanto eu olhava para todos os lados, Marcelo se divertia com as muitas curvas, também deliciosas!

O trecho seguinte, entre Teresópolis e Nova Friburgo, não tem um visual tão estonteante, mas tem melhor asfalto e boas curvas. Marcelo pilotou esse trecho também. Mas é no trecho depois de Friburgo que a motocada fica de responsa! A estrada fica mais larga, com menos movimento, e as curvas são de média-alta, do tipo que dá mais prazer numa moto como a minha! Eu estava pilotando e me diverti muito deitando a moto de um lado e de outro!

Depois de Cordeiro nós pegamos uma estrada passando em Euclidelândia e Itaocara. Foi uma má escolha minha, era melhor ter seguido pela BR-492 até perto de São Fidélis. A estrada não estava grande coisa, muitos buracos, comunidadezinhas, quebra-molas e praticamente nenhum visual relevante. De Itaocara fomos para Santo Antônio de Pádua pela BR-116 - essa em ótimo estado. Chegamos em Pádua e mal tínhamos acabado de abastecer caiu uma chuvarada. Dava para ver pelo céu que não ia durar, então ficamos no posto mesmo esperando a chuva passar. Levou uns 30 minutos, mas quando passou não voltou mais. Pelo contrário, abriu um baita sol em todo o resto da viagem.

Faltavam apenas 300km, então não teve mais jeito, entramos em modo "go home". Marcelo e eu apenas cuidamos de pilotar com atenção e sem fazer merda. É geralmente na saída ou na chegada que acontecem os acidentes e nenhum de nós queria nada sequer parecido. Viemos "pianinho" até chegar em casa.

No total, entre ida e volta nessa viagem percorremos 4890 km de moto. Foram 2401 indo, outro tanto voltando e um tanto de trajeto lá em POA. Foram muitas estradas legais, muitas paisagens bonitas, muitos lugarzinhos peculiares e muitas histórias para lembrar e contar!

Roteiro do último dia:


Rota Romântica de cima da moto!




Paisagem da região perto de Pádua - planícies do norte do Rio de Janeiro.



Essa ponte foi a última divisa de estado da viagem! De volta ao ES!


A primeira cidade capixaba do caminho - Apiacá.


Paisagens capixabas!


Home, home again! Cansados e felizes! Quase 5000 km de muita estrada e diversão.


4a Viagem a Porto Alegre de moto - volta, dia 3

Que dia! Nunca foi tão bom a previsão do tempo estar toda errada!

Ontem, quando estávamos planejando os trajetos do dia seguinte, todas as cidades que olhávamos no caminho estavam com previsão de chuva. Algumas davam até 100% de probabilidade. Com isso eu propus sairmos já com as capas todas. Como ainda não estava chovendo, Marcelo foi contrário, e eu acabei por seguir a ideia dele. Ainda bem, pois não choveu uma gota sequer em todo o caminho!

Antes de pegar a estrada fomos tirar fotos numa praça de Itu que tem umas esculturas gigantes para confirmar que a gente um dia esteve aqui, e só depois saímos para um dos objetivos dessa viagem - a Estrada dos Romeiros. É uma estradinha de pista simples muito antiga que na maior parte do tempo vai margeando o Rio Tietê. Dizem ter aproveitado o trajeto de caminhos dos Bandeirantes.

Essa estrada tem fama entre motociclistas paulistas por ter montes de curvas bem fechadas. E a fama é coerente com a realidade. Curvas e mais curvas de todos os raios imagináveis. Até algumas "multi-raio", que começam de um jeito e terminam de outro.

O Rio Tietê ao lado da estrada vez por outra traz paisagens legais, mas se olhar direito logo se vê a poluição. É triste como emporcalhamos sem o menor respeito o nosso ambiente! É lixo pra caramba, sem falar daquelas espumas nojentas que aparecem depois de toda corredeira.

Atravessamos depois a grande Sampa pelas marginais e nos surpreendemos por uma proibição esquisita - motos não podem transitar na pista expressa. Com isso tivemos bem mais trabalho de navegação para apenas nos mantermos no caminho. De repente a gente se viu numa alça de acesso para a estrada errada. Entramos na Anhanguera sem querer e tivemos que achar um retorno. Xarope e sem sentido essa proibição.

Pegamos o sistema Ayrton Senna / Carvalho Pinto / Dutra até Seropédica. Essas mega-estradas são boas para quem está de carro ou com pressa, mas para mim são totalmente sem graça. Não tem curvas e não tem visual relevante! De bom só a segurança e a velocidade que permitem manter.

Pegamos em Seropédica outro dos objetivos - a Estrada de Miguel Pereira. Essa sim, deliciosa e linda! Mais uma para minha lista de grandes motocadas. Quando começa a subir a serra fica deslumbrante! Sobe, sobe, sobe! E abre cada visual do vale abaixo! Sensacional! Ponto alto do dia, melhor até que a Estrada dos Romeiros!

Paramos em Miguel Pereira às 17h para decidir o destino final do dia e reservar um hotel. Decidimos manter Itaipava como destino. Nos perdemos um pouco pelos caminhos ao sair de Miguel Pereira para RJ-125, mas chegamos às 19h, antes de escurecer.

Encontramos pelo Booking um hotel muito interessante - Hotel Castelo Itaipava. É um castelo de verdade, construído nos anos 20 do século passado pelo Barão de Vasconcelos. Todo decorado a caráter, abriga desde 2008 eventos como o casamento da Debora Secco, tem dois restaurantes e abriu como hotel em 2015. Visual desconcertante por dentro e por fora! Muito legal conhecer!

Não cheguei a calcular quanto andamos hoje. Acho que nem chegou a 600 km, mas como tivemos estradinhas lentas como a Romeiros e essa de Miguel Pereira, levamos mais de 10h na estrada. Nada que incomode, faz parte.

Roteiro do dia:


Vir a Itu e não tirar fotos das esculturas gigantes seria imperdoável. Então taí!




Estrada dos Romeiros.


O pobre Rio Tietê, majestoso e poluidíssimo. Acompanha quase todo o trajeto da Estrada dos Romeiros.

  


Parada para descanso na Ayrton Senna. Ou será que essa foto foi na Dutra? Paramos nessa rede de lanchonete nas duas estradas!



O lindo Hotel Castelo que ficamos em Itaipava! Baita surpresa que o Booking nos deu!







4a Viagem a Porto Alegre de moto - volta, dia 2

A previsão era de chuva em trechos do percurso, mais certamente à tarde. E ela não falhou - choveu bastante a partir do meio dia, tornando os trechos que eram para ser os melhores nos mais tensos. Mas pilotamos com cuidado e sem pressa e chegamos a Itu/SP cansados mas sem nenhum problema.

Saímos dessa vez um pouquinho mais tarde, 8h. Pura preguiça de acordar às 6h em ponto. O tempo em Joinville estava nubladão mas não chovia. Decidimos abortar a proposta de subir a Serra de Dona Francisca e subir direto a BR-376 porque já tínhamos feito a parte legal da serrinha na vinda e com a previsão de chuva era melhor estar numa estrada duplicada que numa estradinha de pista simples.

O tráfego estava pesado na BR-101, com muitos carros nos dois sentidos. O tempo até deu uma melhorada e um solzinho apareceu em alguns trechos. Mas o que surpreendeu foi um tremendo frio - só 16 graus em meio de janeiro? Tivemos que parar para Marcelo colocar outra blusa e proteger as mãos, porque estava gelado mesmo. E esse frio permaneceu um bom tempo, só foi melhorar depois da gente sair do Paraná.

Almoçamos perto de Registro/SP no Petropen, uma mega-lanchonete que me traz muitas lembranças. Era nela que os ônibus da Viação Penha paravam quando eu viajava de Porto Alegre para Vitória para ver Márcia nos tempos de nosso namoro, lá no final dos anos 80. Apesar de ter trocado de dono há alguns anos, a lanchonete continua bem parecida com o que era. A qualidade dos produtos ainda é excelente, e os preços continuam altos. Naquela época de grana contada isso me fazia escolher entre uma coxinha ou uma fatia de pizza, mas hoje as coisas estão bem melhores e a gente almoçou uns baita bifões. Deliciosos.

No almoço decidimos manter nosso roteiro original, subindo a Serra da Macaca e parando em Itu. Havia a hipótese de seguir pela Régis Bittencourt até São Paulo se estivesse chovendo. Mas apesar de termos pegado uma chuvinha pouco depois de Curitiba, já há um bom tempo estava seco e parecia que poderia ficar assim.

Infelizmente o tempo seco não durou. Pouco depois de entrar na estrada da Serra da Macaca a chuva reapareceu. Paramos para colocar as capas todas num ponto de ônibus no meio do nada. É sempre um porre colocar as capas, e é um porre maior ainda pilotar com elas. Dá um calor infernal e tudo fica bem desconfortável. Mas é melhor que todo ensopado, então...

Marcelo pilotou toda a Serra da Macaca mas nem pode curtir direito, porque chuvinha e curvas super fechadas não são a melhor combinação para o piloto. Mas eu, que estava na garupa, curti bastante atravessar mais uma vez essa estrada-parque. É linda! Pura mata atlântica para todo lado!

Depois da serrinha só seguimos o roteiro pelas estradas do interior de SP até chegar em Itu. Teve um trecho de asfalto ruinzinho até Salto do Pirapora, mas daí para frente foram só aquelas mega-estradas paulistas. Tomamos ainda uma baita chuvada nesse trecho, mas chegamos ao hotel numa boa.

Roteiro do dia:


No estacionamento do hotel, prontos para partir!


Parada para colocar mais roupa! Só 16 graus no meio do verão, que é isso?


Anel viário de Curitiba. Última foto com esse visual sulista.


Entrada da Serra da Macaca, pouco depois de Registro. Superfície lunar...


Parada para colocar as capas todas.


Serra da Macaca, trecho dentro do Parque Estadual Carlos Botelho. Lindíssima!



Portal do Parque Estadual Carlos Botelho.